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Ufal leva comunidade a discutir golpe militar

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FÁTIMA ALMEIDA A história do Golpe Militar de 1964 e dos anos de ?chumbo? da ditadura que vigorou por 21 anos no Brasil está sendo contada no Espaço Cultural Salomão de Barros Lima, na Praça Sinimbu, por personagens que participaram ativamente e sobreviveram ao regime e por documentos diversos, entre os quais fichas policiais de militantes da esquerda perseguidos e mortos, e fotografias de atos de resistência e luta pela democracia. O evento, intitulado ?1964 ? 40 anos depois?, está sendo realizado até hoje, pela Universidade Federal de Alagoas por meio das pró-reitorias Estudantil e de Extensão, com palestras, debates, mostra cinematográfica, apresentações culturais, teatro e mostra de fotografias e documentos da época da ditadura. ?Nosso objetivo é trazer a história para as novas gerações e rememorá-la para as mais antigas, por intermédio de protagonistas políticos e intelectuais que viveram o golpe?, explica Valéria Correia, pró-reitora Estudantil da Ufal, coordenadora do evento. De acordo com a ativista política e feminista Jarede Viana, que participou, ontem pela manhã, da mesa-redonda sobre ?A resistência do movimento estudantil em Alagoas?, ao lado de Ivanilda Verçosa e Hildeberto Cordeiro, os riscos continuam. ?Antes éramos perseguidos e punidos por defender a liberdade, a democracia. Muitos morreram por isso. Hoje muitos morrem por denunciar a corrupção, a truculência, como aconteceu com o professor Paulo Bandeira?, observou Jarede. ?Atuávamos no grupo de teatro universitário ?Os corujas?, com peças como Roleta Russa, de Pedro Bloch, Revolução dos Beatos e O Pagador de Promessas, de Dias Gomes, mas com a intensificação da censura ficava cada vez mais difícil encenar peças afinadas com o compromisso social, político e artístico, por causa da proibição ou mutilação dos textos mais reflexivos e críticos. Passamos a participar de sessões de leitura de textos teatrais, fugindo, assim, da intervenção da censura sem recolher nossa trincheira de resistência?, lembra Ivanilda, À tarde houve sessão de cinema com exibição do filme ?Tribunal de Tiradentes?, seguida de debate, e à noite outra mesa- redonda sobre ?A repressão militar em Alagoas?. Hoje, a programação começa às 9 horas, debatendo ?O autoritarismo e a democracia no Brasil? e prossegue à tarde com a exibição do filme ?Fênix?. À noite será apresentada a peça ?Apesar de você?, e uma nova rodada de debates sobre ?A anistia no Brasil de hoje?, com Marcelo Lavenere e Sérgio Lessa.

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