Cidades
Pais dormem em fila de escola estadual mas n�o conseguem vagas para filhos
FÁTIMA ALMEIDA A Escola Estadual Manoel de Araújo, no Conjunto Henrique Equelman, garantiu por meio do sistema de fichas, a tranqüilidade no primeiro dia de matrícula de novos alunos para o ano letivo de 2004, que se inicia na segunda quinzena de abril. Mesmo assim, muitas crianças vão ficar sem estudar. A escola é a única do bairro, que congrega também outras comunidades circunvizinhas como a Grota da Alegria, loteamentos Campos do Jordão, Pouso da Garças, Casa Forte, Acauã e Parque das Árvores, Alto da Alegria e áreas periféricas do Benedito Bentes. O diretor da escola, Carlos Maranhão acredita que seriam necessárias pelo menos 1.500 vagas a mais para atender à demanda de 1ª a 4ª séries do Ensino Fundamental. Há poucos dias, a GAZETA DE ALAGOAS registrou as longas filas que se formavam dia e noite ao redor da escola. Pais estavam no local a até três dias para garantir uma vaga para os filhos. A escola adotou o sistema de distribuição de fichas até o número de vagas existentes. Ontem, primeiro dia de matrícula, algumas mães ainda nutriam a esperança de encaixar os filhos. Por orientação da Secretaria de Educação, a sala destinada à biblioteca será transformada em sala de aula, abrindo 40 novas vagas para a 1ª série, que começaram a ser preenchidas, ontem, mesmo com os remanescentes das filas. Foi nessa nova oportunidade que a doméstica Foneide Juvêncio de Lima, residente no Benedito Bentes, conseguiu vaga para um de seus sete filhos menores. Valéria Juvêncio, 8, vai freqüentar a escola pela primeira vez. Os outros não tiveram a mesma sorte. Uma filha de 12 anos, que morava no interior, não conseguiu vaga na 3ª série. Um filho de 10 anos, que nunca freqüentou a escola, vai continuar sem estudar. Como está fora da sua faixa escolar, ficará à margem do direito que lhe garante a Constituição: o direito à escola. Um dos filhos de Foneide, 14, já é aluno antigo da escola Manoel de Araújo (cursa a 5ª série). Quanto aos outros dois, ela tira R$ 60 de sua renda mensal de R$ 200 (R$ 100 do seu trabalho e R$ 100 de ?ajuda?, do ex-marido), para pagar uma escola particular. O diretor da escola Manoel Araújo diz que já esgotou o que era possível fazer. Com um caderninho nas mãos, ele conversa com todas as mães, uma por uma, e, se vê possibilidade, anota o nome das crianças, mas não alimenta ilusões. ?Para a 1ª série, como vamos transformar a biblioteca em sala de aula, vamos receber mais 40 alunos, além das fichas, mas quase todas as vagas já foram preenchidas só nesse primeiro dia. Para a 2ª série nem anoto, porque não tem possibilidade de vagas. Para a 3ª e 4ª séries, a lista dos remanescentes que ficaram sem ficha é pequena (cinco para uma e oito para outra), por isso, anotamos, porque qualquer desistência a gente encaixa?, prometeu ele. Ontem pela manhã, ainda tinha cinco vagas a serem preenchidas na 5ª série; 17 na 6ª e 16 na 7ª.