Cidades
Mascarados roubam e matam em Col�nia Leopoldina
ARNALDO FERREIRA Colônia Leopoldina ? O centro da cidade deste município da região norte do Estado, distante 98 quilômetros da capital, se transformou numa praça de guerra. Um bando de 15 homens, alguns mascarados e vestidos com roupas camufladas do Exército e calças cáqui dênticas às do uniforme o cotidiano da Polícia Militar de Alagoas, armados com espingardas calibre 12, fuzis do tipo AR-15, metralhadoras e pistolas automáticas atacaram, no fim da manhã de ontem, a agência do Banco do Brasil, de onde levaram o dinheiro dos caixas, roubaram clientes e funcionários. Durante a fuga, mataram um soldado da Polícia Militar e levaram dois vigilantes do banco como reféns. A ousadia e a rapidez da ação do grupo de assaltantes foram semelhantes à do bando que, na semana passada, prendeu um delegado e policiais na delegacia do município de Junqueiro, depois assaltou a agência do Banco do Brasil daquela cidade e fugiu, também, em duas caminhonetes Ranger, sem deixar pistas para a polícia. As primeiras investigações levam a polícia a acreditar que se trata do mesmo grupo. O ataque dos assaltantes aconteceu no fim da manhã. Uma parte do bando rendia os vigilantes do Banco do Brasil e foi direto para os caixas, em direção aos funcionários e clientes. A outra parte do grupo, que estava na segunda caminhonete, seguiu para a delegacia e tentou render os cinco policiais militares que estavam de serviço. Os PMs perceberam o ataque e reagiram atirando. ?O centro da cidade parecia uma praça de guerra. Era tiro para todos os lados?, contou o vice- prefeito José Alves Caldas Júnior (PL), impressionado com o ataque dos assaltantes. ?Nunca vi uma coisas dessas e nunca imaginei que isso pudesse acontecer em Colônia Leopoldina?, disse o vice-prefeito, assustado. O prefeito Manuilson Andrade (PSB) tinha retirado dinheiro do Banco do Brasil antes do assalto, e em seguida viajado para Maceió, a fim de comprar o peixe que distribui tradicionalmente na Semana Santa. Ele só soube do ataque quando estava na estrada. Morte Na troca de tiros, um soldado da PM, Marivaldo Franco, 37 anos, deixou seu posto, que era bem perto do Banco do Brasil, e correu em direção à delegacia. Não teve tempo nem de atravessar a rua: a menos de 100 metros da delegacia foi alvejado pelas costas e morreu na hora. ?Eu vi meu irmão caindo. Mas os assaltantes atiraram também em minha direção?, contou o também soldado da Polícia Militar Marcelo Franco, que, revoltado por não conseguir sair em defesa do irmão, tentou responsabilizar os oficiais da PM que lutam para implantar a política de direitos humanos na polícia. ?Meu irmão tinha 17 anos de polícia. Eu quero saber agora como fica esse negócio de Direitos Humanos?. Ao ser questionado se tinha identificado policiais no bando, Marcelo desconversou: ?Não consegui identificar ninguém?. Mas a aspirante da PM Josileide de Melo, que ontem à tarde estava responsável pela Delegacia de Polícia de Colônia Leopoldina, admitiu a possibilidade de haver policiais envolvidos. ?O grupo parecia treinado e agiu com muita precisão. Foi um ataque semelhante ao que aconteceu em Junqueiro?, admitiu a aspirante da PM Josileide. Ao mostrar uma das Rangers usadas pelos assaltantes, que a abandonaram num canavial, a aspirante da PM mostrou um dos buracos de bala. ?Acho que pode haver um dos assaltantes baleado?. Mas dentro do carro não havia vestígios de sangue. Pagamento Os assaltantes agiram com precisão no ataque e no plano de fuga. A ação do grupo demonstra que os assaltantes sabiam que ontem era dia de pagamento dos trabalhadores da Usina Taquara, da destilaria Porto Alegre e das centenas de fornecedores. No momento do assalto, a agência do Banco do Brasil acabara de receber um malote com mais de 1 milhão de reais para pagamento dos trabalhadores e fornecedores de cana. A cidade estava bem movimentada e isto terminou prejudicando a ação da quadrilha, que não conseguiu render os PMs na delegacia. No tiroteio que aconteceu no centro da cidade, a dona de casa Cícera da Silva levou um tiro na perna e, segundo informações do vice-prefeito José Alves, ela está fora de perigo. Os dois vigilantes da agência do BB, Aristeu e Francisco, levados como reféns, foram liberados na saída da cidade. Hoje, eles serão convocados para prestar depoimento.