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Lix�o de Macei� permanece local de trabalho infantil

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FÁBIA ASSUMPÇÃO Crianças e adolescentes trabalhando no meio do lixo continua sendo uma realidade no Lixão de Cruz das Almas. Isso foi constatado ontem de manhã durante uma visita à Vila Emater, em Jacarecica, de representantes de 11 países do mundo que participaram do I Seminário Internacional de Gerenciamento da Rede para o Desenvolvimento Comunitário, promovido pelo Comitê de Entidades de Combate à Fome pela Vida (Coep). Além do trabalho degradante de crianças e adolescentes no lixão, os ativistas internacionais conheceram de perto a miséria em que vivem 360 famílias, que dependem exclusivamente da catação do lixo para sobreviver. O voluntário do Grupo de Cursilhos da Igreja Católica, José Gomes, se emocionou ao relatar aos visitantes a miséria em que vive a população da Vila Emater. Com uma população de mais de 1.300 pessoas, o local dispõe apenas de uma torneira de água para abastecer toda a população e não há saneamento público. Ele confirmou que apesar de toda divulgação feita pelo município, o trabalho infantil persiste no lixão. Segundo ele, muitos pais mantêm os filhos trabalhando no local porque não têm outro meio de sobrevivência. O procurador Ubirajara Ramos, do Núcleo da Criança e do Adolescente do Ministério Público Estadual, explicou que a instituição já tem instaurado um procedimento administrativo para que o município adote providências para acabar com o trabalho infantil. Ele afirmou que a Superintendência Municipal de Limpeza Urbana (Slum) desenvolveu um projeto para acabar com a presença de crianças no lixão e reduzir o número de catadores no local. ?Só que na distribuição dos coletes para os catadores acabou havendo confusão?. Pelo menos 200 crianças da Vila Emater são atendidas pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti). ?A informação que nós temos da Slum é que não existe mais nenhuma criança trabalhando no lixão, mas diante dessa constatação vamos retomar a discussão sobre a questão?, informou Ubirajara. Ele, no entanto, reconhece a dificuldade para impedir a entrada de crianças e adolescentes no local. Condenar os pais que permitem que os filhos permaneçam trabalhando no lixão fica difícil, diante de tanta miséria. A catadora Maria Célia Silva dos Santos depende do lixo para sustentar três filhos menores, a mais velha com apenas cinco anos. Ela afirma que trabalha à noite, porque é o horário em que os filhos estão dormindo e consegue trabalhar com mais tranqüilidade. Por semana, ela arrecada cerca de R$ 20,00 com a venda do lixo, o que mal dá para comprar alimentos. Mesmo assim, acha que a vida é melhor do que onde morava antes, no bairro do Jacintinho. ?Aqui pelo menos tenho como conseguir algum dinheiro?. Maria Célia conta também com a ajuda de instituições como o Coep, que faz a distribuição de cestas básicas e presentes em alguns períodos do ano.

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