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DEFESA CIVIL EXPLICA APARECIMENTO DE SAL EM IMÓVEIS DE MACEIÓ
Fenômeno está associado à presença de cal livre e umidade em materiais de construção
A Defesa Civil de Maceió concluiu as análises sobre o pó branco que apareceu em alguns imóveis da região do Flexal de Baixo, no bairro de Bebedouro, na orla lagunar de Maceió, e em imóveis do Bom Parto.
Segundo o Informativo Técnico 14/2021, assinado em conjunto pelos técnicos que compõem o Centro Integrado de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil (Cimadec), o pó se trata de eflorescência, ou seja, depósitos cristalinos de cor esbranquiçada que surgem na superfície de revestimentos por meio de reações químicas.
O documento aponta que as reações ocorrem entre os materiais de construção civil associada à presença elevada de umidade nas edificações e que a origem desse problema pode ocorrer na água utilizada na construção, ou até mesmo a água proveniente de infiltração, que evapora e cria os depósitos na superfície.
O texto concluiu informando “que a presença de sais em edificações pode, no decorrer do tempo, gerar problemas cumulativos que afetam as estruturas”. Necessita, no entanto, que os proprietários realizem manutenções, acompanhadas por profissionais habilitados, para o tratamento da fenômeno.
Nos imóveis visitados, os técnicos encontraram “paredes com presença de umidade ascendente por capilaridade; edificações próximas da lagoa, em regiões onde há a presença de lençol freático em baixa profundidade; regiões suscetíveis a alagamento; materiais construtivos irregulares e sem o devido acompanhamento de dosagens, a exemplo de blocos cerâmicos com coloração irregular e presença de saibro na argamassa; e ausência de sistema de impermeabilização adequado”.
De acordo com o engenheiro civil do Cimadec, Victor Azevedo, o fenômeno é comum na construção civil e está associado à presença de cal livre nos materiais de construção e à presença de umidade.
“É bem comum. Com a presença de umidade dos materiais de construção civil, principalmente nos materiais que tenham cimento e calcário em sua composição, e com a presença de água, ocorre a reação química e quando há a evaporação dessa reação os sais acabam se acumulando nas paredes”, explicou Azevedo.
Já o geógrafo do Centro Integrado, Walber Gama, acrescenta e explica que os locais são áreas de solos de mangue que favorecem o processo de capilaridade nas casas sitiadas nas margens da Lagoa Mundaú, o que, somado a outros fatores, contribuem com a incidência da umidade dos terrenos e das edificações.
“As casas que foram construídas ali aterraram uma área de mangue, que sofre com influência marinha. O solo, que já é encharcado por ser área da Lagoa Mundaú, ainda recebe água de áreas mais altas. Além disso, há a influência dos ventos, que passam por uma grande área de laguna, o que ajuda a manter a umidade alta no local”, conclui.