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Clube F�nix tenta resgatar gl�rias e glamour
FÁTIMA ALMEIDA Uma feijoada domingueira, reunindo gerações e personagens que passaram pela história do mais antigo clube carnavalesco de Alagoas lança, neste domingo, 4, um ousado projeto de resgate da trajetória de sucesso do Clube Fênix Alagoana. Aos 118 anos, recheados de fatos que se confundem com a história política, de desenvolvimento e da própria sociedade alagoana, o clube tenta ressurgir das cinzas, tal qual a ave mitológica que lhe inspirou o nome. A Fênix é um mito de origem egípcia, venerada também pelos gregos, descrita como uma ave fabulosa, semelhante à águia, que vivia vários séculos e que não precisava de outro ser para perpetuar a espécie. Reproduzia-se, deixando-se consumir numa pira feita por ela mesma no alto de um carvalho, onde se queimava em meio a ervas mágicas e aromáticas. Das cinzas de seu corpo carbonizado surgia uma nova Fênix, jovem e vigorosa, que vivia o mesmo tempo de sua antecessora. A Fênix é também o símbolo da ressurreição; do recomeço. É, exatamente, recomeçar o que pretende a atual diretoria do Clube Fênix Alagoana, com uma fórmula que pretende resgatar antigos sócios e seus descendentes, por meio de uma programação que inclui atividades esportivas e de lazer, bailes e festas aos moldes de outrora, competições, malhação e reencontro. O diretor social do clube, Ramsés Costa garante que não é puro saudosismo. ?Nosso projeto inclui uma academia de ginástica com todas as modalidades, inclusive, um Spa urbano, que não existe em Maceió, e começa com a anistia de todos os sócios, já aprovada pelo Conselho, zerando os débitos até este mês de abril. É mesmo um recomeço?, explicou ele. De acordo com o presidente Walter Lamenha, o Clube, que já teve 6.500 sócios e há cerca de 20 anos promovia bailes de carnaval para 5 mil pessoas, hoje, tem cerca de 2 mil sócios, mas apenas 300 pagantes. O aluguel do salão de festas, da quadra de tênis e da piscina ajudam a manter as contas e a folha de pagamento dos 19 funcionários. Com a anistia e o novo projeto, a meta é chegar ao final de 2004 com mil sócios pagantes. A mensalidade, garantem eles, é a mesma dos último dez anos: R$ 30. Entre os sócios beneméritos figuram personalidades da política alagoana, como o ex-presidente Fernando Collor de Mello, o ex-governador Divaldo Suruagy e o ex-prefeito de Maceió João Sampaio. ?São pessoas que beneficiaram o clube?, afirmou o presidente Walter Lamenha. Pelas quadras vitoriosas das muitas competições esportivas que participou, o Clube teve entre seus atletas o governador de Alagoas Ronaldo Lessa, a prefeita de Maceió Kátia Born e o secretário da Fazenda Sérgio Dória. A tenista Marina Tavares também começou lá a sua trajetória de atleta internacional. De bem com o poder A intimidade com o poder e com a elite econômica do Estado fazem parte da história da Fênix, que nasceu dos saraus promovidos pelo capitão da Marinha Mercante, Napoleão Goulart, com as famílias mais nobres da sociedade local. Desses encontros constantes que aconteciam em sua residência, na antiga Rua da Igreja (Barão de Jaraguá), surgiu a idéia do Clube, fundado em março de 1886, e inaugurado em setembro do mesmo ano, com o nome de Clube Carnavalesco Phênix Alagoana. A primeira sede foi lá mesmo, na Rua da Igreja, num casarão que, hoje, abriga o Grupo Escolar Ladislau Neto. Pela história resgatada por Eduardo Guimarães, diretor há 28 anos, responsável pela composição da galeria de todos os ex-presidentes da Fênix, a sede atual só foi viabilizada em 1925, num terreno doado pela família Leão. A área, na época era desabitada. A Maceió dos engenhos, que crescia a partir do Porto de Jaraguá, só havia chegado até a Ponte dos Fonsecas (Praça Sinimbú). Para garantir o andamento das obras de construção da nova sede, o então presidente Quintella Cavalcante teve que emprestar do seu bolso 10 Contos de Réis, o que significaria, hoje, quase a metade do patrimônio edificado, calculado em R$ 8 milhões, segundo estimativa dos diretores. Esse não foi o único gesto de amor pelo clube e pela boemia. Segundo Guimarães, em 1926, com as finanças em baixa, o carnaval da Fênix foi bancado com recursos próprios do médico Esdras Duarte, então presidente, com direito a todas as pompas a que os sócios estavam acostumados, inclusive, carros alegóricos pelas ruas de Maceió. Na galeria dos ex-presidentes figuram personagens como o general Mário Lima, Demócrito Gracindo (pai do ator Paulo Gracindo), o cônsul britânico Keneth Courange Marckey, o consul boliviano Ezequiel Pereira, o ex-governador Afrânio Lages, entre muitos. ?O presidente era sempre uma pessoa de grande notoriedade no Estado?, observou Eduardo Guimarães. Na história do clube, registrado nas atas, entram méritos como o de ter sido sede provisória do governo do Estado na década de 40, e da Assembléia Legislativa estadual.