Cidades
Projeto de urbaniza��o da orla mar�tima provoca mais uma demoli��o de barraca
FÁBIA ASSUMPÇÃO Fiscais da Secretaria Municipal de Controle e Convívio Urbano (SMCCU) demoliram, ontem, a Barraca Ilha dos Camarões, instalada há mais de 10 anos na Praia de Ponta Verde. Foi a terceira, do total de oito barracas que serão derrubadas pela Prefeitura entre Pajuçara e Ponta Verde, por causa do novo projeto urbanístico da Orla. A operação para a derrubada da barraca começou por volta das 5 horas e envolveu mais de 50 pessoas, entre funcionários da SMCCU, Gerência de Parques e Jardins da Superintendência Municipal de Obras e Urbanização (Somurb), Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (Sempma) e Guardas Municipais. Para fazer a derrubada e recolher os entulhos foram utilizadas três caçambas truncadas, uma pá carregadeira e uma escavadeira. Com a autorização da Sempma, foram removidas quatro árvores da espécie ficos americano, plantadas na área da barraca, além de um coqueiro. Segundo o responsável pela gerência de Parques e Jardins da Somurb, Ailton Pacheco, as árvores foram derrubadas porque não são típicas de região de praia e o coqueiro já não frutificava. O fornecimento de energia na área foi suspenso durante a operação, para evitar acidentes. O diretor de Fiscalização da SMCCU, Galvacy de Assis, explicou que no local da barraca será construído um mix com quatro divisões, que será ocupado por ambulantes que vendem uma diversidade de produtos na Orla. Como se trata de uma área pública, o proprietário da barraca não terá direito a qualquer tipo de indenização. Mesas, cadeiras e outros utensílios da barraca foram retirados poucas horas antes de ela ser derrubada. Apesar do clima de desolação entre os funcionários da empresa, os fiscais da SMCCU não enfrentaram resistência. Segundo Galvacy, ainda não está definida qual a próxima barraca a ser demolida. Antes da Ilha dos Camarões, foram derrubadas as barracas Mama Mia, em Jatiúca, e Charles, na Pajuçara. Desemprego A derrubada de barracas em virtude do novo projeto urbanístico da orla marítima está provocando um problema social. Só na barraca Ilha dos Camarões, 16 pessoas ficaram desempregadas. A barraca funcionou até as 22 horas da segunda-feira, sete horas antes de a SMCCU iniciar sua demolição. Hermes Vieira comprou a barraca há apenas 10 meses e não sabe o que fará agora para garantir a sobrevivência. Ele afirma que sequer tem dinheiro para pagar a indenização dos funcionários. Vieira explicou que recebeu na semana passada a notificação da prefeitura, informando sobre a demolição. O empresário reclama que não houve nenhuma intervenção da Associação dos Barraqueiros da Orla Marítima para evitar a derrubada. Os funcionários reclamavam que a Prefeitura não analisa a situação dos trabalhadores ao decidir pela demolição das barracas da Orla. O garçom Jenaldo Ataíde da Silva trabalhava há 12 anos na barraca, desde a época dos primeiros proprietários. Ele acredita que a dificuldade de conseguir um novo emprego será para todos, embora sejam profissionais capacitados. ?Nessa época, quando tem pouco turista na cidade, fica ainda mais difícil conseguir emprego?. Dos 16 empregados da barraca, dois eram cozinheiros, quatro garçons, dois copeiros, um vigilante e um ajudante de serviços gerais.