Cidades
Protesto pode deixar 3,8 tr�s mil alunos sem aula
FÁBIA ASSUMPÇÃO Os ex-funcionários do Colégio Crispiniano Portal ameaçam ocupar o prédio da instituição e impedir o início das aulas, em protesto contra o atraso no pagamento de suas indenizações trabalhistas. A escola foi desapropriada pelo município no fim do ano passado. No acordo firmado com direção da Campanha Nacional de Escolas Cenecistas (Cnec) - que era responsável pela administração da escola - a Prefeitura de Maceió pagaria pela desapropriação R$ 800 mil, divididos em 10 parcelas. Parte desses recursos seria destinada ao pagamento das indenizações trabalhistas. São mais de 60 funcionários, a maioria com mais de 10 anos de trabalho. Só que, até agora, nenhuma parcela foi liberada pelo município, e os funcionários demitidos estão ficando no prejuízo. Segundo uma das ex-funcionárias do Crispiniano, Maria Rejane Nascimento, um acordo firmado no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) pela direção da Cnec previa o pagamento das indenizações em duas parcelas. A primeira deveria ter sido paga em 1º de março e a segunda em 1º de abril. Maria Rejane, que trabalhou durante 11 anos como auxiliar administrativa na escola, explicou que além de os servidores terem sido obrigados a abrir mão de 50% do que tinham direito, ainda sofrem com o atraso no pagamento das parcelas. A mesma situação de frustração vive a ex-coordenadora da escola, Verônica Lúcia Dantas. Com 17 anos de trabalho, ela vai receber apenas R$ 4 mil, dos R$ 8 mil a que tinha direito. Os ex-funcionários que se reuniram, ontem pela manhã, na porta da escola prometem ocupá-la até que suas indenizações sejam liberadas. O coordenador do Fundo Municipal de Educação, Gustavo César Rocha, afirmou que a demora no pagamento da desapropriação da Cnec se deve ao trâmite burocrático do processo, que tem que passar pela análise da Procuradoria Geral do Município. Ele acredita que o processo para a liberação dos recursos deve ser concluído até a próxima semana. Parte dos recursos será encaminhada a uma conta específica para que a TRT efetue o pagamento das indenizações trabalhistas. As aulas no Crispiano Portal, cujo prédio passa por alguns reparos, só devem ter início no fim deste mês. A escola tem capacidade para mais de 5 mil alunos, mas devido às condições precárias do prédio, o município efetuou a matrícula de 3.800 alunos do Ensino Fundamental, até que possa ser feita uma reforma mais ampla em todo o prédio.