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Comunidades mant�m tradi��o de malhar Judas

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FELIPE FARIAS A tradição de malhar Judas movimentou muitas comunidades de Maceió na Sexta-feira da Paixão. Os moradores começaram com um dia de antecedência a confeccionar o boneco que representa o apóstolo traidor de Jesus. Na Vila do Amparo, no Vergel, a tradição é mantida há cerca de dez anos e ontem muitas crianças se juntaram na viela entre as casas para colocar o enchimento em roupas velhas que, assim, adquirem a forma de uma pessoa. Como manda a tradição, no Sábado de Aleluia Judas é amarrado a um poste ou pendurado em árvores para ser destruído com surras ou queimado. Segundo João Izidoro da Costa, conhecido como João Baixinho, e um das lideranças da comunidade, o Judas desse ano vai receber o nome do irmão dele, José Zilton da Costa. Conhecido como ?Zito da Borracha?, ele é um dos personagens mais populares do calçadão do comércio de Maceió, por causa do assobio que emite, prolongando o ?S? ao final da palavra ?borrachas?. Pelos risos que provoca em quem passa, Zilton também já foi indicado para se apresentar no Programa do Faustão, da Rede Globo. Segundo João Baixinho, no ano passado Judas foi o salário mínimo, mas em outros anos vários moradores da própria comunidade já receberam a mesma ?homenagem?. Faz parte da mesma tradição dar ao Judas nomes de problemas e personagens pitorescos ou antipatizados. Na própria Vila do Amparo, o boneco já recebeu também o nome de falta d?água, transtorno que aflige seus moradores. O enchimento das roupas este ano foi feito com garrafas plásticas que, segundo João Baixinho, serão depois entregues a um catador de lixo que mora na vila. ?Antes a gente usava qualquer coisa, mas depois da malhação, ficava tudo espalhado. Agora, todo mundo tem consciência ambiental?, brinca. A malhação de Judas é uma tradição nascida na península ibérica, formada por Portugal e Espanha, trazida na época da colonização e que teve origem num processo de catarse direcionado ao apóstolo traidor. Judas, cognominado de Iscariotes por ser oriundo da cidade de Carioth, ao sul de Judá, acompanhava Cristo, mas teria perdido a fé. Obcecado por dinheiro, ele foi pago pelos judeus para apontar-lhe quem era Jesus. Judas esteve na Última Ceia e foi com um beijo que indicou quem era o Cristo aos soldados enviados pelos membros do Sinédrio. Em seguida, Jesus foi preso, flagelado e crucificado. Arrependido, o traidor acabou se enforcando. A ele atribui-se a superstição que envolve o número 13, uma vez que ele seria o 13º apóstolo.

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