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MAIORIA DOS REAJUSTES SALARIAIS EM ESTADO NÃO REPÕE SEQUER A INFLAÇÃO

Poucos foram os sindicatos que conseguiram alcançar ao menos o INPC nas negociações esse ano, diz CUT

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Reajustes salariais deste ano ficaram abaixo do INPC, diz Central Única dos Trabalhadores
Reajustes salariais deste ano ficaram abaixo do INPC, diz Central Única dos Trabalhadores -

Num ano atípico para a economia, com toda a retração provocada pela pandemia de Covid-19, o trabalhador alagoano tem sofrido no bolso com aumentos seguidos nos valores de diversos produtos e serviços. A direção do salário, no entanto, segue em sentido contrário, e os resultados das convenções e acordos coletivos quantos aos reajustes desse ano refletem essa realidade. Em maio, o reajuste salarial dos servidos públicos do estado foi 4,52%, sem ganhos reais em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que era de 8,89% no acumulado de 12 meses. Já a convenção coletiva do Sindicato do Comércio Varejista de Maceió (Sindcomercio), junto ao Sindicato dos Empregados do Comércio de Alagoas (Secea), acordaram reajuste de 4% para a classe. O Movimento Unificado dos Servidores Públicos Municipais de Maceió, no mês de julho, aceitou a proposta de reajuste de 3%, após uma série de negociações da categoria, que recebeu uma proposta inicial de 0%. Naquele mês, a alta acumulada no INPC já era de 9,85%, e em ambas as datas-base, o acumulo anual foi maior do que no ano anterior. Ambas as propostas aceitas, tanto no estado quando no município, ficaram longe de obter algum ganho real. “Poucos foram os sindicatos no estado que conseguiram alcançar ao menos o INPC nas negociações esse ano”, afirma a presidente da Central Única dos Trabalhadores em Alagoas (CUT-AL), Rilda Alves. Ela salienta ainda que, em muitos casos, os acordos buscaram que ao menos não houvessem perdas, antes de pensar em qualquer acréscimo. “Essa tem sido a nossa maior dificuldade. Muito do que têm chegado na mesa de negociação são propostas de perdas ou diminuições de auxílios, e os sindicatos tentaram manter o mínimo para que o trabalhador não perca”, relatou. A realidade do estado segue a tendência registrada no primeiro semestre de 2021 em todo o país. Segundo o boletim Salariômetro da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), 50,5% dos acordos e convenções coletivas realizadas no país entre janeiro e julho resultaram em reajustes abaixo do o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado até a data-base. O levantamento ainda mostra que apenas 22,9% das negociais ocorridas até julho resultaram em ganhos reais e que 26,6% dos reajustes empataram com o INPC. Para o economista Jarpa Aramis, a principal motivação dos valores extremamente baixos é exatamente a realidade econômica da pandemia, que trouxe perdas significativas para todos os lados. “A pandemia é um problema de toda a sociedade. As empresas perderam rendimentos, o desemprego atingiu muitos trabalhadores, e o mercado não está em condições favoráveis. Quando chega a recomposição desses salários isso é amplamente sentido”, opina. O especialista aponta ainda que um maior envolvimento do setor privado no enfrentamento ao vírus teria refletido em resoluções mais breves para as restrições. Já a presidente da CUT-AL salienta que, mesmo em setores que foram menos impactados pela pandemia, como a área de farmácia, por exemplo, ainda assim se valeu da pandemia para propor valores abaixo da inflação. “Tivemos enormes dificuldades nas negociações esse ano, mesmo em setores onde o consumo inclusive aumentou durante a pandemia”, apontou Rilda Alves.

* Sob supervisão da editoria de Economia.

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