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Alagoas tem maior �ndice de desemprego do Pa�s

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FÁBIA ASSUMPÇÃO Alagoas perdeu no primeiro trimestre deste ano 16.019 postos de trabalho no setor formal - trabalhadores com carteira assinada - de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, Emprego e Renda. De janeiro a março deste ano, enquanto foram admitidos 13.274 trabalhadores, 29.293 foram dispensados, dando uma variação negativa de 6,99, o maior índice de desemprego do País. Em todo o Brasil, o índice de desemprego neste mesmo período teve uma variação positiva de 1,49, com criação de 347.392 novos postos de trabalho. Só em março, houve uma redução de 11.076 postos de trabalho formais no Estado, com 15.420 demissões e apenas 4.344 admissões (- 4,93). O índice foi bem maior do que em março do ano passado, quando houve redução de 7.064 postos de trabalho, com 3.800 admissões e 10.944 desligamentos. Só que em relação ao trimestre, a situação foi pior em 2003. Neste período, no ano passado, foram eliminados em Alagoas 24.415 postos de trabalho, com total de 36.672 desligamentos contra 12.257 admissões. O setor que mais desempregou no primeiro trimestre de 2004 foi o da Indústria e de Transformação. Foram eliminados 14.890 postos de trabalho. Do total de 2.655 admissões, foram registrados 17.545 desligamentos, variação negativa de 18,06. Só em março, o setor demitiu 11.402 e admitiu 804 trabalhadores, o que representou uma perda de 10.598 empregos. Ano passado, neste mesmo mês, o setor tinha reduzido 5.926 postos de trabalho, contabilizando 1.175 admissões e 7.101 desligamentos (- 8,37). Em segundo lugar em eliminação de postos de trabalho no Estado ficou o setor de agropecuária, que já vinha apresentando uma redução gradual de empregos desde o início do ano. Nos primeiros três meses do ano, este setor eliminou 1.814 postos de trabalho (- 9,79). Enquanto foram registradas apenas 594 admissões, foram demitidos 2.408 trabalhadores. Se contabilizados os últimos 12 meses, no entanto, Alagoas teve um saldo positivo. De março de 2003 a março de 2004, foram criados 19.268 postos de trabalho, com total de 94.294 admissões e 75.026 desligamentos, o que significa uma variação positiva de 10,06, ficando atrás apenas de Tocantins (10,14%). Queda no consumo Para o professor do Departamento de Economia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Luiz Antônio Cabral, apesar de ser comum haver uma redução no número de empregos nos primeiros meses do ano, a redução de 16.019 postos de trabalho é considerado um número bastante elevado. ?Em geral, no fim do ano, há um crescimento na oferta de empregos por causa do Natal, quando as pessoas compram mais?, observou. ?No início, com a redução do consumo, as empresas começam a demitir?. Um dos motivos para redução no consumo, segundo Luiz Antônio, é uma série de despesas que onera o orçamento da maioria das pessoas, como pagamento do IPTU, matrículas escolares, emplacamento de veículos, entre outras. O economista lembrou que o crescimento do desemprego faz parte de um quadro nacional, mas num Estado como Alagoas é preciso que o poder público promova iniciativas que reduzam o impacto dessa situação. O secretário-executivo de Economia Solidária, Trabalho e Renda, Corintho Campelo da Paz, afirma que o Estado vem tomando iniciativas para gerar emprego e renda, como programas de capacitação do trabalho, incentivo ao empreendorismo e fomento ao microcrédito. Qualificação Corintho afirma, no entanto, que a geração de mais empregos passa por uma mudança na política econômica nacional. ?Enquanto a economia brasileira não voltar a crescer, nenhum empresário vai querer ampliar seus investimentos apenas para ser bonzinho?. Ele ressaltou que uma das maneiras de ampliar os postos de trabalho é o governo federal voltar a investir em obras de infra-estrutura como saneamento. Segundo Corintho, o governo do Estado vem cumprindo sua parte. ?Recentemente, o governo formulou uma política de fomento ao microcrédito?. Campelo afirma também que a instalação de grandes indústrias não vai resolver o problema do desemprego. ?Grande indústria significa mecanização, por isso é preciso buscar outras formas de gerar renda, e o caminho é o estímulo ao empreendorismo, a qualificação e a concessão de crédito?. Pelo menos 4.300 trabalhadores já passaram por programas de qualificação e mais 2.300 farão o mesmo caminho até junho. Para Campelo, apesar dos índices sociais ainda continuaram negativos, houve uma melhora significativa na situação do Estado de 99 para cá, quando o governador assumiu. ?Lamentavelmente, para mudar a situação do desemprego, o Estado depende da política nacional?.

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