loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
segunda-feira, 27/07/2026 | Ano | Nº 6275
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Pesquisa

FALTA DE SANEAMENTO BÁSICO CAUSA QUASE 5 MIL INTERNAÇÕES NO ESTADO

Apenas 21,7% da população alagoana tem acesso à coleta de esgoto, e somente 15,6% do esgoto é tratado

Ouvir
Compartilhar
A incidência de internações em Alagoas naquele ano foi de 14,75 por 10 mil habitantes
A incidência de internações em Alagoas naquele ano foi de 14,75 por 10 mil habitantes -

A falta de saneamento básico em Alagoas causou 4.923 internações por doenças de veiculação hídrica, segundo o estudo Saneamento e Doenças de Veiculação Hídrica – ano base 2019, divulgado nesta terça-feira (5), pelo Instituto Trata Brasil. De acordo com o documento, a incidência de internações em Alagoas naquele ano foi de 14,75 por 10 mil habitantes. O levantamento foi feito a partir de dados públicos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) e o Datasus, portal do Ministério da Saúde que acompanha os registros de internações, óbitos e outras ocorrências relacionadas à saúde da população. Em números absolutos, o Amapá aparece como a unidade da Federação com menos internações por doenças de veiculação hídrica, com 861. Em seguida aparecem Roraima, com 1.350, Acre (1.362), Tocantins (2.125) e Sergipe (2.829). Na outra ponta, o Maranhão foi o estado com o maior número de internações, com 38,2 mil, seguido do Pará, com 28.063, São Paulo (26.059), Minas Gerais (24.712), Bahia (23.387) e Ceará (15.604). Em relação à taxa de internações por 10 mil habitantes, o Maranhão se mantém como o estado com maiores casos, com 54,4 internados a cada 10 mil, seguido de Pará com 32,62, e Piauí com 29,64. O estado do Rio de Janeiro teve a menor taxa de internações por 10 mil habitantes, com 2,84, seguido por São Paulo com 5,67 e o Rio Grande do Sul com 7,14. Para o Trata Brasil, o estudo destaca a relevância de se acelerar a agenda do saneamento básico com mais investimentos, para que mais pessoas recebam os serviços. Em Alagoas, apenas 21,7% da população tem acesso à coleta de esgoto, e somente 15,6% do esgoto é tratado. Para o presidente do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, os dados deixam claro que qualquer melhoria no acesso da população à água potável, coleta e tratamento de esgotos traz grandes ganhos à saúde pública. “Por outro lado, o não avanço faz perpetuar essas doenças e mortes de brasileiros por não contar com a infraestrutura mais elementar”, alerta. “São hospitalizações que poderiam estar sendo destinadas a doenças mais complexas”, afirma. Em todo o País, a falta de saneamento básico provocou 273,4 mil internações por doenças de veiculação hídrica, um aumento de 30 mil hospitalizações na comparação com ano anterior. Esse volume resultou em um custo de R$ 108 milhões ao país em 2019. O Brasil também registrou 2.734 mortes em decorrência de doenças de veiculação hídrica. O estudo concluiu que as internações por doenças causadas pela falta de saneamento se distribuem pelo país, refletindo as condições sanitárias de cada região, e que a ausência dessa infraestrutura é mais evidente na Região Norte. Lá, apenas 12% da população tem coleta de esgotos e houve 42,3 mil internações por doenças de veiculação hídrica em 2019. De todo volume de esgoto gerado na região – incluindo aquele coletado e o que não é coletado – somente 22% são tratados. Em seguida, vem o Nordeste, onde somente 28% da população tem coleta de esgotos e o tratamento chega só a 33% do volume total de esgoto gerado. A região teve o maior número de hospitalizações, um total de 113,7 mil. O Sul foi a terceira pior região no que diz respeito ao saneamento, com 46,3% da população tendo acesso à coleta dos esgotos e 47% do esgoto gerado sendo tratado. No Centro-Oeste, 57,7% da população conta com coleta dos esgotos e há 56,8% de tratamento do volume de esgoto gerado. Essas duas regiões registram 27,7 mil internações cada. Já o Sudeste apresentou os melhores indicadores, com 79,2% da população com coleta de esgotos, com 55,5% do total de esgoto gerado sendo tratado. Na região, houve 61,7 mil internações por doenças de veiculação hídrica. Apesar de o Sudeste apresentar números de internação maiores que o Norte, ele tem sete vezes mais habitantes. Portanto, para uma comparação entre bases iguais, o estudo calculou a incidência de internações por 10 mil habitantes. Com isso, observou-se que os estados do Norte e Nordeste concentram os maiores problemas com relação a hospitalizações. Levando em conta a taxa de incidência por 10 mil habitantes, são 22,9 internações no Norte; 19,9 no Nordeste; 17,2 no Centro-Oeste; 9,26 no Sul; e 6,99 no Sudeste. As internações desse tipo, de crianças de zero a quatro anos, correspondem a 30% do valor total, com 81,9 mil internações em 2019, sendo 35,2 mil no Nordeste, 17,6 mil no Norte, 15,6 mil no Sudeste, 6,78 no Sul e 6,7 no Centro-Oeste. No mesmo ano, ocorreram 124 mortes de crianças nessa faixa etária, sendo 54 delas no Nordeste, seguido do Norte com 41, Sudeste com 14, Centro-Oeste com 12 e o Sul com apenas três. As informações são da Agência Brasil.

Relacionadas