Cidades
Alunos ficam sem aulas, na espera dos professores
DORGIVAL JUNIOR O recadastramento efetuado pela Secretaria Estadual de Educação, que constatou a presença de dois mil professores da rede de ensino fora da sala de aula, também denunciou a triste realidade que faz parte do dia-a-dia da maioria dos estudantes da rede estadual de ensino: a ausência de aulas. O problema deixa os estudantes em alerta e receosos com o futuro já que a falta de professores ocorre em várias séries da rede de ensino e, na maioria das escolas, além de colocar em risco o ano letivo caso as vagas não venham a ser preenchidas em tempo hábil. A principal carência de professores está nas disciplinas da área de exatas como matemática, física e química, além de ciências. A falta de professores em outras matérias, como inglês e história, também atinge várias escolas que encontram nos monitores a única saída para tentar amenizar o problema. ?A gente aqui faz milagre. Fazemos de tudo para deixar os estudantes ocupados, quando eles têm espaço de aula livre por falta de professores?, frisou a diretora Lenilda Oliveira, que foi obrigada a remanejar os horários da turmas para que os estudantes não ficassem sem aula por vários dias da semana. ?Tem dias em que temos que dispensar as turmas para que os estudantes não passem horas sem ter o que fazer na escola. Hoje, só temos três monitores. A escola tem carência de professores nos três turnos. O professor tem que se virar em vários para poder amenizar o problema da falta de outros docentes. A nossa escola tem hoje 1.300 alunos?, desabafou a diretora da Escola João Paulo II, declarando que o problema existe em outras escolas do bairro de Chã da Jaqueira. Em algumas escolas, professores de outras disciplinas são obrigados a dar aulas simultâneas em turmas de séries diferentes. ?Enquanto o professor dá aula na oitava série, ele passa uma atividade para a gente na sétima. Ele fica se revezando nas duas turmas?, desabafou a estudante Carla da Silva. ?A gente entra na sala e faz algum tipo de atividade, quando há oportunidade. Não podemos é prender os estudantes. As vezes, eles ficam no pátio esperando a próxima aula. Este é um problema geral na rede?, frisou a diretora da escola Alfredo Gaspar de Mendonça, Lúcia Procópio, que trabalha com um contingente superior a 3.800 estudantes e que chega a dar aula à noite na unidade de ensino para amenizar a falta de professores. ?Hoje, não tive aula. O meu maior medo é o PSS. Já é complicado estudar em escola pública e, agora, sem professor, a situação fica mais difícil para quem vai fazer o exame de seleção?, desabafou a estudante do segundo ano científico, Ariana Larissa. A secretária de Formação do Sinteal, Lenilda Lima, alegou que o recadastramento mostrou a falta de controle do Estado, afirmando que o cadastro sirva para organizar a máquina estatal da educação. ?É necessário verificar quantos estão cedidos a outros órgãos e em permuta?, disse ela, acrescentando que o Sinteal vai acompanhar este problema já que o contingente de professores do Estado fora da sala de aula é considerado alto. ?Se este número for real, trata-se de um verdadeiro escândalo?, disse.