Zika
TRATAMENTO É PREJUDICADO PELA PANDEMIA DE COVID-19
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A situação é semelhante também a de Caroline Alves, mãe da Ana Vitória, de cinco anos, também com microcefalia. Com as complicações da pandemia, o comércio da família fechou. Hoje, a única renda também são os benefícios recebidos por Ana Vitória, que, além das despesas, ainda precisa ser o suficiente para comprar as coisas que a menina precisa. “Ela tem alergia à fralda distribuída pelo estado, mas, os remédios dela nós conseguimos sem problemas pela rede”, conta. Os pais começaram a vender caldinho na porta de casa como forma de ajudar nas despesas.
Caroline relata ainda que após o novo fechamento, no início desse ano, ela não teve mais coragem de levar a filha para o tratamento. Ela e a menina testaram positivo para Covid-19 em março desse ano, e tiveram uma infecção leve. Recuperadas, a mãe relata não se sentir mais segura, de maneira nenhuma. “Continuamos no mesmo medo. Ainda há o risco de uma reinfecção pior, não vou pegar dois a três ônibus para ir com ela para a fisioterapia”, desabafa.
Já Yara Flor, mãe do Pedro, também de cinco anos, apenas descobriu estar com o vírus da covid quando já nem mais transmitia a doença. Ela relata ter tido medo junto aos filhos, Pedro, que sofre com SCZ, e suas irmãs, duas gêmeas de um ano de idade.
Para Yara, a situação com os materiais disponibilizados pela rede pública é ainda mais complicada. “Está um absurdo. Desde janeiro do ano passado eu não consegui mais as fraldas dele. Suplemento também não, não consigo dar entrada. E o que ainda consegui da última vez não chegou”, conta. Ela diz que Pedro também chegou a ter reação alérgica ao material da fralda.
A mãe diz ainda ter dificuldade para marcar consulta neurológica para o menino. “Ele está tendo crise convulsiva. Fica agitado e não dorme a noite. A dosagem das medicações deveria ter sido ajustada, mas, apenas o neurologista pode fazer isso. Ele precisa de acompanhamento constante, mas não conseguimos mais marcar essas consultas”, relata. Yara também tem como única fonte de renda o benefício recebido pela criança, pela dedicação total que Pedro pede da mãe.
A Afaeal, em parceria com o Instituto de Pesquisa Professor Joaquim Amorim Neto (IPESQ), de Campina Grande, conseguiu disponibilizar, na própria sede da associação, tratamentos de fonoaudiologia e PediaSuit, um protocolo de tratamento fisioterapêutico intensivo, de alto custo, que ainda não é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Pedro frequenta a associação duas vezes por semana. “Com todos os protocolos sanitários estamos tentando ajudar essas famílias. Acredito que se não fossem as associações, já teríamos caído no esquecimento”, conclui ainda a presidente da Afaeal.LC