Pandemia
FAMÍLIAS FALAM DOS CUIDADOS COM AS CRIANÇAS EM MEIO À PANDEMIA
Apesar da flexibilização, muitos pais alagoanos não descartam continuar com os cuidados iniciais
Depois de quase dois anos com a maior parte das atividades suspensas ou reduzidas por causa da pandemia da Covid-19, grande parte do Brasil está passando por uma flexibilização. Mas, mesmo com shoppings, parques e escolas reabrindo, os riscos de contaminação pelo vírus continuam existindo, o que faz com que muitos pais tenham dúvidas se é ou não possível fazer uma flexibilização com segurança para a criança e toda a família. Por isso, eles não descartam continuar com os cuidados do início da pandemia. E, em meio à flexibilização, contam como está a rotina com os pequenos no “novo normal”.
A estudante Stefânia Acioli, de 28 anos, é mãe de Helena, de apenas 5 anos. Ela é autora do livro “Te vejo mãe: olhares sobre a maternidade”, e conta que ser mãe era um desejo de quando ainda era adolescente. A maternidade, na vida de Stefânia, trouxe diversos ensinamentos e quebra de paradigmas.
“Helena chegou para desconstruir toda a maternidade romântica que eu idealizei, abalar as estruturas de muitas das minhas certezas e me mostrar o mundo através de um olhar mais empático e menos carregado de pré julgamentos”, frisou. Em meio à pandemia, a jovem disse que os cuidados com a filha aumentaram, deixando mais aflorado o seu instinto materno. “Enfrentamos dificuldades em relação à manutenção da nossa rotina. Meu marido não parou de trabalhar, então só ele ia ao supermercado ou a algum lugar que fosse necessário. Manter uma criança presa em casa por meses não foi fácil. Demandou muita disponibilidade minha, enquanto, também, enfrentávamos um doloroso processo de luto, com a morte de uma de minhas mães para a Covid-19. De qualquer forma, procurei o máximo que pude me conectar com a minha filha através de atividades como desenho, música, dança, pintura, massinha, jogos de tabuleiro, na tentativa, claro, de amenizar a ansiedade que estávamos sentindo”, falou ela, que acrescenta: “Foram momentos difíceis porque em muitos deles eu também precisava de colo e espaço. Fica difícil acolher uma criança quando nós também precisamos de acolhimento”. Stefânia lembra, ainda, que o início da quarentena afetou a saúde mental de sua filha, o que a deixava preocupada. “Helena passou a roer as unhas, usar telas mais do que estava acostumada, ter mais explosões de sentimentos e crises de choro, e, em alguns momentos, encontrou dificuldade para canalizar a energia que estava guardada. Moramos em um condomínio com muitas crianças, onde ela sempre desce para a área de lazer para brincar. Sendo que, ver o espaço fechado e ter de se afastar de seus amigos, foi difícil para ela”, narrou. E completa: “Infelizmente, por mais que eu tentasse, não conseguia suprir a lacuna da ausência de uma outra criança em seu convívio. Eu estava ciente disso, mas em certos momentos foi doloroso vê-la, em pleno processo de desenvolvimento, afastada de seus amiguinhos. Criança é mais imaginação, fantasia, e é difícil entrar nesse mundo quando nossa cabeça está ocupada com tantas outras questões. Tentei, sempre que pude, me aproximar do que ela estava sentindo, para acolhê-la da melhor maneira possível para nós. No entanto, com a flexibilização, a rotina da família mudou, trazendo uma Helena mais tranquila e alegre, segundo Stefânia. “Em 2021 Helena voltou para a escola e foi nítida a mudança em seu humor. A sensação é a de que a menina que nós conhecíamos estava de volta. Mais compreensiva, tranquila, e a ansiedade dela vem diminuindo ao longo dos meses. Os esportes estão ajudando muito nesse processo que não é imediato. Acho que demoraremos um pouco para ter a real dimensão das consequências do isolamento para nossas crianças. Porém, passamos a frequentar mais praças abertas, descer para brincar no condomínio, andar de patins, bicicleta, sair para tomar sorvete, que é uma das programações que ela mais gosta. Foi bom para ela e para nós. Mesmo com medo e nos prevenindo, está sendo importante essa flexibilização”. E com o Dias das Crianças, a mãe de Helena conta que a filha terá um momento especial, a fim de comemorar a data da melhor maneira, depois de dias difíceis. “Vamos para alguma pracinha ou ficaremos em casa. Queremos evitar locais com muitas pessoas, o que pode ocorrer no feriado. Vou fazer bolo para ela e um piquenique na sala de casa, além de andar de bicicleta pelo condomínio. Será um dia tranquilo”.