Pandemia
ESPECIALISTAS DEFENDEM VACINAÇÃO DE CRIANÇAS CONTRA COVID-19
Crianças fazem parte da sociedade e podem estar funcionando como mantenedoras da infecção
Já são quase nove meses desde o início da distribuição das vacinas contra a Covid-19 pelo Ministério da Saúde aos estados brasileiros. E, com base em levantamento realizado em hospitais, as pesquisas comprovam o que os médicos já defendiam: a vacina salva vidas. Há poucos dias o Instituto de Infectologia Emílio Ribas de São Paulo concluiu que quase todos os pacientes internados com complicações entre janeiro e a primeira quinzena de setembro não tinham completado o esquema vacinal.
A Gazeta de Alagoas pergunta a infectologista Sarah Dominique se a queda do número de casos e mortes por Covid está relacionada à vacina. “O efeito vacinal com certeza, principalmente em idosos, e também à sazonalidade do vírus, a qual pode nos surpreender ainda com novas ondas”. E se acha que as crianças devem também tomar o imunizante, a médica afirma “com certeza, há estudos que progridem nessa avaliação e assim como outros imunizantes já bem consagrados no Brasil e no mundo, a vacina contra a Covid-19 certamente contemplará a faixa etária infantil”, diz a médica. O infectologista Fernando Maia também defende a imunização de crianças contra a Covid-19, desde que haja critérios de segurança. “Eu creio que as crianças também devam ser vacinadas. As crianças dificilmente adoecem, dificilmente fazem forma grave, mas podem transmitir a doença. Lembrando que as crianças fazem parte da sociedade e podem estar funcionando como mantenedoras da infecção também. É importante vacinar os adultos, assim como as crianças assim quando for possível”, acrescenta Maia.
É PRECISO TOMAR VACINA
O dia 19 de janeiro deste ano marcou um novo momento de combate à pandemia do novo coronavírus no Brasil. Nas últimas semanas a ocupação de leitos por pacientes infectados, o número de casos e de óbitos passou a cair com o aumento do percentual de vacinados. O controle da Covid está ligado ao 4,3 milhões de doses distribuídas e a aplicação dos 3,3 milhões de imunizantes. Desse total, mais de 2,1 milhões de pessoas receberam a primeira dose e cerca de 1,2 milhão a segunda ou única. Os dados são da última quinta-feira (7). “Adesão da coletividade às medidas previne a transmissão do coronavírus. Infelizmente atestamos o não uso de máscaras e práticas desnecessárias de aglomerações embora haja flexibilização das medidas restritivas”, afirma a infectologista Sarah Dominique. A ampliação dos locais de vacinação, disponibilidade de vacinação 24h e a inclusão novamente dos hospitais que vacinariam de maneira mais ágil os profissionais de saúde”, opina a infectologista Sarah Dominique sobre o que fazer para que a vacinação alcance seu total objetivo. “Os gargalos são os de sempre que as pessoas ainda têm, apesar de estarmos há quase dois anos em pandemia, de aderir às medidas de proteção necessária, de usar máscara, lavar as mãos, de manter o distanciamento social. Tem gente que ainda insiste em desrespeitar isso mesmo vendo o número de casos como anda. E a gente ainda encontra pessoas e não são poucas que não estão querendo se vacinar. E a única arma efetiva e eficaz para controlar a pandemia é a vacinação. Então, apenas com a vacinação é que a gente vai conseguir controlar. A gente já está vendo que estamos controlando, mas não totalmente porque a adesão à vacina ainda não está ideal”, explica o infectologista Fernando Maia. De acordo com o médico, para a vacinação alcançar seu objetivo é preciso uma campanha permanente de conscientização e de orientação para que as pessoas não deixem de se vacinar. “A gente encontra pessoas que já deveriam estar com as duas doses de vacina e não fizeram nenhuma. E muita gente só tomou uma dose e não tomou a segunda. É importante lembrar que a vacina só atinge seu efeito desejado com as duas doses. Então é fundamental que quem ainda não tomou suas doses de vacina, que tome. E quem tomou as duas e tem indicação de reforço, que tome o reforço, porque só com a vacinação que a gente vai controlar essa situação”, finaliza o infectologista. Fernando Maia lembra que a redução do número de casos é visível e que os hospitais que eram referência no tratamento da Covid estão praticamente vazios. “Os poucos pacientes que permanecem internados ainda são em sua imensa maioria não vacinados. Então é fundamental, é indispensável vacinar. A vacinação que está controlando, isso já se mostrou em outros países”, finaliza Maia.
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