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Combate � dengue emperra nos bairros “nobres”

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FÁBIA ASSUMPÇÃO As barreiras criadas pelos moradores das chamadas áreas ?nobres? da cidade - bairros como Ponta Verde e Jatiúca - continuam sendo a principal dificuldade enfrentada pelos agentes de saúde no combate à dengue em Maceió. Segundo o gerente do Programa de Combate à Dengue da Secretaria Municipal de Saúde, Nemer Ibrahim, 92% dos focos do mosquito transmissor da dengue - o Aedes aegypti - estão concentrados em residências. Mas, de janeiro a fevereiro deste ano, 64.395 imóveis não foram inspecionados pelos agentes por se encontrarem fechados ou porque os proprietários não permitiram. O número representa um percentual de 18,50% das residências que deveriam ser visitadas pelos agentes, grande parte concentrada nos bairros de população com alto poder aquisitivo. Neste período, foram trabalhadas 282.092 residências, o que representa um percentual de 81,50%. Segundo Nemer, o índice de imóveis sem acesso pelos agentes chegou a ser de 40% em anos anteriores. Estado de alerta Ele alerta que apesar de ter havido uma redução significativa do número de casos de dengue em Maceió e já não haver um quadro epidêmico da doença, não se deve descuidar de seu controle. Este ano foram registrados 543 casos suspeitos da doença, mas apenas 114 foram confirmados. Em 2002, Maceió chegou a registrar 1.300 casos suspeitos da doença. Hoje circulam em Maceió três tipos de vírus da dengue. Segundo Nemer, como o vírus tipo 4 já circula em alguns estados, como no Rio de Janeiro. Uma das áreas que mantêm os agentes de saúde sempre em alerta é a de Jatiúca e Ponta Verde, onde há uma grande concentração de turistas. Na região, o índice de infestação do mosquito Aedes aegypti é de 4% (o índice considerado aceitável é de 1%), em áreas como o Jardim Petropólis a infestação predial chega a 6%. Nemer explicou, no entanto, que existem áreas onde o índice de infestação do mosquito é mais baixo, mas o de transmissibilidade da doença é muito grande, como acontece em bairros como Ponta Verde. O perigo maior são para as pessoas que já tiveram dengue e estão mais suscetíveis de contraírem a dengue hemorrágica. Este ano foram registrados três casos suspeitos, mas nenhum confirmado. ?Nas chamadas áreas ?nobres? existe um grande número de residências com piscinas, mas geralmente os donos nunca estão em casa, onde se acumula material que pode reter água, como folhas, copos descartáveis e latas. Isso acaba dificultando o trabalho de combate à dengue, pois os agentes não podem entrar nesses locais sem autorização do proprietário. ?Só encontramos a vigilância na casa e os empregados não permitem a entrada dos agentes?. Também é grande a incidência de imóveis fechados, a Vigilância Sanitária tem poder de polícia?. Nemer cita o exemplo de um caso emblemático, que dá bem a noção dos problemas enfrentados pelos agentes nos bairros de pessoas de mais alta renda. Moradores de uma dessas áreas denunciaram que o marido de uma médica estava com dengue, mas tentava negar o fato. Só depois de três dias de negociação, os agentes tiveram acesso à área externa da casa e localizaram focos do mosquito em brinquedos espalhados no quintal.

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