Pandemia
COM VISITAS SUSPENSAS, ABRIGOS DE IDOSOS TEMEM MOMENTO DIFÍCIL
Mesmo com flexibilização, as consequências de todos os vínculos rompidos com o afastamento trazem consequências emocionais
Desde o primeiro momento da pandemia, os idosos foram a população mais vulnerável e mais afetada. Em meio as diversas decisões tomadas em prol do enfrentamento ao vírus, a prioridade aos grupos de risco foi sempre a questão mais levantada por todas as autoridades. No entanto, nem mesmo a luz jogada sobre essa parcela da população expôs todas as facetas da vulnerabilidade de muitos alagoanos durante o envelhecimento. Sem poder dar espaço a visitas, ou ao próprio voluntariado, as Instituições de Longa Permanência para Idosos no estado sentiram o impacto do isolamento ainda com mais intensidade.
Na capital, hoje, mesmo após o arrefecimento das restrições, as consequências de todos os vínculos rompidos com o afastamento trazem consequências emocionais e econômicas para todos os idosos residentes nesses espaços.
Na Casa para Velhice Luiza de Marillac, o lar se viu inserido em dois momentos históricos distintos e difíceis, foi obrigado a mudar de sede, por conta do afundamento no bairro do Bebedouro, onde esteve instalado por 62 anos, em meio a pandemia de Covid-19, onde precisou redobrar as precauções para que as idosas institucionalizadas não se expusessem ao vírus.
“Durante a pandemia, eles perderam a pouca liberdade que já tinham. As visitas foram suspensas e eles acabaram realmente isolados. Fizemos todo um trabalho para que eles não fossem afetados pelo vírus. Mas, nesse processo, eles sentiram muita falta do contato”, conta a coordenadora Solange Leopoldino.
Além das consequências emocionais, sem visitas, e consequentemente doações, a instituição se vê num momento difícil. “Já estamos perdendo muito desde a situação do afundamento na região da antiga casa, as visitas já haviam caído muito e logo depois veio a pandemia. Tivemos ajuda de alguns projetos de iniciativa privada, mas isso já foi encerrado e a casa agora segue para um período de grande aperto”, afirma ainda a coordenadora.
O lar, que dispunha de 21 quartos e tinha acabado de expandir as dependências pouco antes do primeiro episódio de tremor de terra, conta agora com apenas 10, um reservado para o isolamento de qualquer caso suspeito de Covid, com 30 idosas, sua lotação máxima.
Já a Casa de Ranquines, que cuida de pessoas em situação de rua na capital, começou, desde novembro de 2020, um trabalho específico para o acolhimento de idosos, por causa da pandemia. Vinícius Souza, leigo consagrado da comunidade religiosa, conta que além de idosos em situação de rua, há também aqueles que foram abandonados nos hospitais por suas famílias, por diversas situações, e também se viram desamparados nesse momento. “Hoje estamos com a nossa lotação esgotada, com 18 idosos. 3 Estão hospitalizados, mas não por Covid. Tivemos casos suspeitos mas nenhum confirmado”, afirma.
As doações, no entanto, seguem a tendência. Com a situação econômica do país cada vez mais problemática, ele afirma que a primeira despesa cortada pela maioria das pessoas são as contribuições humanitárias. O que é sentido na pele pela instituição. “A primeira coisa que o povo corta é as contribuições. Em termos de queda, perdemos de 15% a 20%. Estamos com dificuldades com alimentos, materiais de limpeza, e na situação financeira como um todo”, confirma Vinícius.
POLÍTICAS PÚBLICAS
Para Luciana Faro, Defensora Pública responsável pelo Núcleo de Atendimento ao Idoso da Defensoria Pública do Estado, há um distanciamento do poder publico em relação aos idosos em situação de vulnerabilidade social. Ela opina que Instituições de Longa Permanência para Idosos de caráter público, junto ao aparo das Secretarias de Saúde e de Assistência Social, tanto do estado quanto do município, fariam um impacto extremamente positivo para o cuidado necessário com esses idosos. “Só há um abrigo público no estado. No interior, em Rio Largo. Seria necessário que o estado e o município dispusesse de abrigos onde o poder público também pudesse administrar essas situações e cuidar dessa população. Com fiscalização e acompanhamento conjunto das secretarias de saúde”, aponta. Ela salienta ainda que uma presença maior das instancias públicas em um trabalho integrado com as instituições privadas que já existem também seria positivo, e ajudaria inclusive ao atendimento da própria defensoria com os casos que recebem.
“As secretarias e assistência social deveriam ter um trabalho mais conjunto com essas instituições, cadastrá-las e dispor para todo o trabalho com essa população as informações de serviços e vagas que cada um dispões, quantos são no estado, para podermos atuar de forma mais acertada. Tive que intervir em algumas situações durante a pandemia, e foi muito positivo descobrirmos abrigos com vagas disponíveis para onde nós pudemos encaminhar os idosos atendidos”, conta.
PM é preso após atirar em dono de oficina; vídeo mostra ação
Vestido de palhaço e com uma faca, homem tenta invadir casa
Fuga em massa: presos arrancam vaso sanitário e escapam
Caseiro reage a assalto e é morto com tiro na cabeça