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Alagoano deixa obriga��es para �ltima hora

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FÁBIA ASSUMPÇÃO Deixar tudo para resolver na última hora é uma das marcas registradas do brasileiro. Essa premissa foi comprovada ao longo da semana, quando centenas de pessoas enfrentaram filas gigantescas para regularizar a situação com a Justiça Eleitoral, e poder, assim, exercer o direito do voto nas próximas eleições. A população teve tempo bastante para tirar o título de eleitor, fazer transferência de domicílio eleitoral, mas a maioria só deixou para fazer isso nas vésperas do fim do prazo, que é o dia 5 de maio. Resultado: estão tendo que enfrentar longas filas no Cartório Eleitoral, instalado à margem do Riacho Salgadinho. Até parece, apesar das reclamações, que o alagoano, como bom brasileiro, tem prazer em enfrentar uma boa fila. Adiar para o dia seguinte também foi uma atitude quase unânime para os que tiveram que declarar Imposto de Renda. Desde o dia 1o de março, os contribuintes podiam prestar contas ao leão. Só que mais de 20% dos contribuintes alagoanos só fez isso ontem, último dia de entrega. Quem fez essa opção teve que enfrentar o estresse do congestionamento na Internet e o risco de pagar multa por atraso na entrega da declaração. Nem mesmo os jovens com 18 anos, que são obrigados a fazer inscrição na Junta Militar, fogem a regra. Eles também tiveram que enfrentar longas filas porque deixaram para a última hora o cumprimento da obrigação. Sem consistência As justificativas de quem deixa para resolver tudo no último minuto do segundo tempo do jogo não são muito consistentes. A estudante Aline da Silva Ferreira, 16 anos, só ontem decidiu ir tirar pela primeira vez o título eleitoral. Mesmo sendo facultativo o voto para quem tem menos de 18 anos, ela disse que queria participar da escolha. Chegou por volta das 9 horas ao Cartório Eleitoral e encontrou mais de 500 pessoas na sua frente. Estudando apenas à tarde, ela diz que deixou de ir antes ao cartório porque ?tinha muita coisa a fazer?. Com bastante otimismo, ela acreditava que até o início da tarde conseguiria ser atendida. A estudante Michele Ferreira Machado foi mais realista. Disse simplesmente que não tinha tirado o título antes por preguiça. ?Não sei se terei muita paciência de ficar nessa fila, se me abusar eu vou embora?, confessou. O desempregado Júnior de Sousa foi outro que deixou para fazer a transferência de domicílio quase em cima do fim do prazo. Argumentou que não tomou conhecimento de que o cartório funcionou no fim de semana. ?Se soubesse teria vindo no fim de semana?. Característica humana A professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Maria Auxiliadora Ribeiro ? doutora em psicologia social - discorda que faz parte do perfil do brasileiro deixar para resolver tudo na última hora. Segundo ela, o fato de adiar o quem tem que ser feito hoje, conceituado como ato de procrastinar, é inerente ao ser humano e um comportamento observado até em animais. ?O adiamento de esforço do que se tem para fazer e deixar isso quando o tempo está se esgotando é inerente da maioria dos seres vivos?. Essa atitude, no entanto, pode causar prejuízos em alguns momentos, como na área acadêmica. Ela cita o exemplo de estudantes que deixam para fazer suas tarefas sempre em cima da hora, o que pode contribuir para a queda de qualidade de sua produção. Ou enfrentar filas como os eleitores que deixaram para resolver suas pendências no fim do prazo. Só que até mesmo enfrentar filas, na avaliação da psicóloga, tem seu lado positivo. ?Existem relações sociais na fila, que acaba se tornando uma coisa prazerosa?. Hoje, no Brasil, ela lembra, existe fila para tudo. Educação Ela acrescenta que o discurso que se ouve de que deixar tudo para a última característica do nosso povo pode ser em virtude de os brasileiros terem um perfil associado a pessoas tranqüilas e sossegadas. Ela disse que o fato de em alguns países a pessoas serem mais organizadas, como na Europa, e procurarem planejar melhor suas ações está ligada a um aspecto cultural e de educação. ?A educação do brasileiro não é tão rígida como na Europa?.

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