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Estudante � libertada ap�s oito dias de cativeiro

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FELIPE FARIAS Um telefonema do negociador que falava pela quadrilha de seqüestradores, rastreado por agentes do setor de inteligência, foi o que precipitou o desfecho do seqüestro de Mariane França, de 20 anos. A partir da captura do negociador, a polícia estourou o cativeiro, prendeu os seqüestradores e libertou Mariane, filha do dono de uma concessionária de veículos de Maceió. O resgate de R$ 1,5 milhão, exigido pela quadrilha, não foi pago. Mariane foi recebida com festa pela família, no prédio onde mora, na Ponta Verde, e, falando à GAZETA DE ALAGOAS, fez uma revelação: o plano estava sendo elaborado havia seis meses e, antes dela, a quadrilha pretendia seqüestrar sua irmã mais velha. A GAZETA acompanhou o seqüestro, desde o primeiro dia. Devido a um apelo feito pela família, a imprensa alagoana assumiu o compromisso de não divulgar o caso, para não colocar em risco a vida de Mariane. O seqüestro durou oito dias e, segundo agentes do grupo especial da Polícia Civil (Tigre), desde o início vinha sendo monitorado por meio de rastreamento das ligações telefônicas entre os seqüestradores e a família, autorizado pela Justiça. Foi esse trabalho do setor de inteligência que levou até o homem identificado como Luís (ou Aloísio). Ele era o encarregado das negociações com a família e foi preso por volta de 10h de ontem na Ladeira dos Martírios, no Centro de Maceió, após ter feito três ligações usando o celular de Mariane. A polícia identificou de onde partiam as chamadas por meio da localização da torre de celular mais próxima. A primeira ligação foi feita das imediações da Praça da Independência (a Praça da Cadeia, defronte ao quartel central da PM), por volta de 9h45. Cinco minutos depois, o homem voltou a ligar. Desta vez, já estava na região central do comércio. E, por volta de 10h, fez a terceira ligação. Os agentes, que estavam em motocicletas, conferiram com a central de rastreamento quem acabara de fazer uma chamada naquelas imediações e efetuaram a abordagem. ?Não queríamos prender a pessoa errada. Eles tiveram muita ousadia de fazer as ligações de um mesmo lugar. Além disso, nos subestimaram?, desabafou o agente, que trabalha sem farda. O acusado foi levado para a sede do Tigre, no Farol, onde, segundo a Polícia, teve início a negociação, pela oferta de garantias de que o bando teria seus direitos respeitados. Mariane Rodrigues e Silva e França foi raptada em frente ao prédio da faculdade onde cursa Administração (Comércio Exterior), na Ponta Verde, no último dia 26, por volta de 19h45. Um VW Santana com quatro homens fechou seu carro, um Fiat Palio. Ela reagiu e chegou a lutar com um dos seqüestradores. Mas foi dominada e colocada à força na mala do carro, que saiu em disparada. A polícia foi acionada quinze minutos depois. A casa que serviu de cativeiro está situada na Rua José Augusto Lessa, no conjunto Inocoop, Tabuleiro. Após a prisão do negociador, a casa foi cercada por agentes do Tigre, militares do Bope e membros da cúpula da segurança e o trecho em frente isolado. Três juízes também foram ao local. Teve início uma negociação que se arrastou por três horas, até que, no fim da tarde, o seqüestro chegou ao fim. Logo depois da libertação de Mariane, a polícia saiu com os três seqüestradores, que foram levados para o Tigre. A polícia ainda está averiguando a identificação, mas informou que os presos são de Alagoas, Pernambuco e do Rio de Janeiro e que a quadrilha tem outros envolvidos. Um PM foi detido ontem, sob suspeita de envolvimento com o caso. Os que estão presos devem ser apresentados hoje pela polícia. No cativeiro, havia um quarto escuro com um aquário; é onde se estima que Mariane tenha ficado. A polícia levanta a hipótese de relação com outros dois seqüestros ocorridos nos últimos dois anos em Maceió: o do filho do dono de um cartório e o do filho do dono de uma loja de materiais de construção. Em ambos, as vítimas disseram ter ouvido barulho de aviões, como ocorreu na casa que serviu de cativeiro para Mariane. (Leia mais sobre o seqüestro nas páginas A6, A7 e A8)

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