Cidades
Sine perde verba para atender desempregado
BLEINE OLIVEIRA O Sistema Nacional de Emprego em Alagoas (Sine/AL) será obrigado a reduzir sua meta de absorção de mão-de-obra em 2004. Em 2003, o Sine se propôs a empregar 4.390 pessoas. O trabalho desenvolvido para captação de vagas permitiu a duplicação da meta, que chegou a 10.500 profissionais empregados, através do Sine. ?Ainda não definimos a meta deste ano, mas acredito que ela será bem menor? - declarou a diretora de atendimento ao trabalhador, Alexandra Ferro. A causa é a diminuição, pelo Ministério do Trabalho e Emprego, dos recursos destinados ao sistema. Em 2003, o Sine/AL recebeu R$ 500 mil. A verba definida para este ano pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) é R$ 390 mil. O valor é, segundo Alexandra Ferro, insuficiente para desenvolver as atividades necessárias a garantir o acesso da mão-de-obra cadastrada aos postos que surgem no mercado estadual. Contradição Com menos recursos, a diretora questiona o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os compromissos do Partido dos Trabalhadores (PT), com os desempregados. ?O que ocorre quando um partido que tem o trabalhador como cerne (parte essencial) adota uma política distanciada dessa imagem?? - indagou a diretora. Ela diz claramente que, ao reduzir verbas que ajudam o trabalhador desempregado, o governo Lula se distancia de seus compromissos. Alexandra vai mais longe ao lembrar que os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre desemprego, mostram índices crescentes de trabalhadores demitidos e com chances cada vez mais reduzidas de serem reabsorvidos. Segundo ela, que seguiu ontem para Brasília, onde participa da reunião em que será elaborado o plano de ação do Sine em todo País, a redução de verbas atingiu todos os estados. Mas em sua avaliação tem efeitos proporcionalmente diferentes conforme a realidade socioeconômica de cada um. ?O corte representa um decréscimo muito mais significativo para Alagoas do que para um Estado como São Paulo?, argumentou Alexandra Ferro. A dirigente afirmou que a redução de verbas tem ocorrido progressivamente ao longo dos anos, tornando-se mais drástica em 2004.