Cidades
RECÉM-FORMADOS ENFRENTAM DIFICULDADE DE ACESSO AO EMPREGO
Após a formatura, jovens relatam frustração com a escassez de vagas e para driblar a crise, buscam vagas alternativas e até nova formação
Durante o ensino superior, conciliar estágio e estudo parece um desafio muito grande. Só que, depois da formatura, aparece um obstáculo muito maior (e que se agiganta com a crise e o desemprego): ingressar no mercado de trabalho.
Tadeu Vievira, de 25 anos, é formado em administração. O jovem se formou em 2019, na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), e, até o momento, não conseguiu um emprego na área. Segundo ele, a situação é frustrante, principalmente agora, com a pandemia.
“Até o momento, o que consegui, foi um estágio. E nem renumerado foi. Confesso minha frustração, mas sigo em busca, porque é uma área que me identifico e gosto muito. Agora, com a pandemia, tenho consciência de que vai demorar um pouco para eu conseguir algo, mas, enquanto isso, vou me virando, trabalhando como posso”, disse.
O jovem atualmente ajuda o pai na farmácia da família. Ele contou, ainda, que conta com o apoio dos parentes na busca por um emprego.
“Meus pais não me cobram tanto, o que é bom. Eles me apoiam e quando saio de uma entrevista de emprego frustrado, me dão os melhores conselhos, o que me ajuda a manter a fé de que minha hora vai chegar”, conta o jovem.
Já Kaíke Meira Peixoto, de 28 anos, é formado em direito, porém atua em outras áreas, por sentir dificuldade em atuar como advogado.
“Eu cursei direito de 2013 a 2018, e escolhi esse curso por saber que a profissão de advogado traz um bom retorno financeiro, além de que eu sempre curti entender das regras. No grupo de swordplay a que pertenço, uma espécie de esgrima, mesmo antes do curso, já me chamavam de “advogado”, por conhecer as regras da luta e julgamento”, diz o jovem.
Ele fala da dificuldade de arrumar um emprego na área. “Se você não faz um estágio em escritório, trabalhando de verdade, com alguém disposto a ensinar, fica muito difícil você se garantir sozinho (pois muita gente que não estagiou em escritório ainda tem o apoio de parentes e amigos de familiares que são da área), e esse foi o meu problema. Tive muita falta de confiança por não ter tido uma boa preparação. Sobre as experiências, eu ainda advoguei num escritório por alguns meses, mas as pessoas lá não foram as melhores para passar o aprendizado da prática, pois era eu sozinho, e ainda mais, não me pagaram a parte que me era justa nos trabalhos que fiz, por isso acabei saindo”, explica.
Mãe é presa após filha de 10 anos ser encontrada sozinha em Arapiraca
Dupla invade residência em Arapiraca; morador reage e consegue imobilizar um dos suspeitos
Pet desaparecido: envie uma foto do animal para a TV Gazeta
Operação Face Dupla: suspeitos de violência sexual contra crianças e adolescentes são presos
Acidente na Fernandes Lima deixa trânsito lento
MASSAGEM E AULAS DE INGLÊS
Atualmente, Kaíke atua como massoterapeuta. “Eu amo a massoterapia e sempre me pergunto: Se eu tivesse focado nisso desde que terminei o colégio, será que hoje eu seria um grande profissional dessa área? Isso não tenho como saber, mas, de qualquer forma, é algo que faço por amar e por precisar também. Também fui professor de inglês por um ano e meio numa escola de idiomas, o que me ajudou a segurar as pontas por um tempo também”, comenta. Para “Está muito difícil arrumar um emprego, e já estava ruim antes também. Vejo muitos amigos e pessoas próximas reclamando disso o tempo todo, além do que vemos nos jornais e noticiários todos os dias, e infelizmente não parece que melhorará por um bom tempo. A pandemia, junto com o atual cenário político, quebrou as pernas de todo mundo”, analisa. Kaíke está cursando gastronomia e conta que o curso faz parte de seus plano para o futuro. “Espero, na verdade, voltar a atuar com direito, até entrei numa pós recentemente, mas não vou deixar a gastronomia de lado, pois com o dinheiro que eu juntar advogando, eu quero abrir uma pousada com um restaurante num lugar perto da praia. Mas isso é bem para a frente. Enquanto isso, se a situação não melhorar e a advocacia não der certo mesmo, a gastronomia é mais uma opção de emprego, inclusive fora do país. Também já pensei muito em viajar oferecendo meus serviços de massoterapeuta. E, como cozinheiro, posso trabalhar em qualquer lugar do mundo, coisa que como advogado não é possível, já que cada país tem suas próprias lei”, comenta .