Cidades
ALAGOAS TEM 440 MIL ANALFABETOS ACIMA DE 15 ANOS, APONTA IBGE
Unicef contabiliza mais de 124 mil evadidos das escolas públicas no Estado; Seduc reconhece o problema
Este domingo, 14, é o Dia Nacional da Alfabetização. Em Alagoas, praticamente não há motivo para comemoração. Alagoas continua líder em analfabetismo, com 440 mil jovens acima de 15 anos (17,1% do total) sem saber ler ou escrever, por falta de políticas efetivas do governo estadual voltadas para o ensino. A maioria das 175 mil crianças e adolescentes matriculadas nas 350 escolas estaduais está entre a euforia de voltar às aulas 100% presenciais, o medo do coronavírus, o desestímulo por falta de atrativos e de atividades motivacionais no ensino público.
De acordo com os números da Secretaria de Estado da Educação, 35 mil alunos matriculados não retornaram às aulas, retomadas em agosto. A Fundação das Nações Unidas para a Infância (Unicef) diz que a evasão escolar é muito maior e atingiu 124.106 crianças e adolescentes no período da pandemia. Soma-se a isto o fato de Alagoas liderar a triste estatística nacional de analfabetismo. Quer dizer que 17,1%, ou seja, 440 mil jovens acima de 15 anos de idade não sabem ler e nem escrever.
A Seduc reconhece os elevados números de analfabetismo e de evasão escolar do Estado. Para resgatar os alunos matriculados e reduzir a taxa de pessoas fora da escola, o quarto secretário da Educação no período de um ano, Rafael Brito, adotou ações de busca ativa e encaminhou projeto para a Assembleia Legislativa que, se aprovado, gratificará professores com bolsa de R$ 1,5 mil/mês, alunos que retornarem ganharão bolsa de R$ 500 e os matriculados com mais de 75% de frequência terão bolsa de R$ 100/ mês.
O projeto de combate à evasão, segundo o secretário, já tem resultado positivo. Segundo ele, 68,5% dos 35 mil matriculados neste ano que estavam fora das escolas retornaram às salas de aula. A fonte desta informação divulgada pela Seduc são as Gerências Regionais de Educação (Geres). “Em agosto deste ano, o número de evadidos era de 35 mil alunos, ocorreu uma queda expressiva para 11 mil atualmente. Ou seja, 24 mil alunos retomaram os estudos”, afirmou Rafael Brito, ao frisar que a estratégia foi reconhecida pela mídia nacional.
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Isto não muda a realidade constatada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que aponta Alagoas (17,1%), Paraíba (16,1%) e Piauí (16%) nos três primeiros lugares em analfabetismo entre os 27 estados. Chegou-se a esta conclusão após a Agência Tatu de jornalismo de dados analisar os dados extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) de 2019. Como no ano seguinte houve a paralisação do ensino público no País e a retomada ocorreu lentamente em agosto deste ano, por causa da pandemia do coronavírus, o perfil social no ensino médio e fundamental não registrou mudanças significativas no capítulo analfabetismo. Pelo contrário, a avaliação do Sindicato dos Trabalhadores da Educação em Alagoas (Sinteal), de diretores de escolas e professores é que a situação “não melhorou ainda”. O secretário também admite.
Apesar de ainda ter a maior taxa de pessoas que não sabem ler, o Estado, segundo a Pnad, foi o que mais reduziu a taxa de analfabetismo entre 2016 e 2019, saindo de 19,4% para 17,1%, o que representa uma melhora no índice de 2,3%. Segundo o IBGE, os homens alagoanos são os mais afetados pelo analfabetismo. Em 2019, 18,1% deles eram analfabetos, contra 16,3% das mulheres. A pesquisa considerou pessoas com mais de 15 anos de idade. Os estados nordestinos são os que apresentam os piores índices de alfabetização no Brasil. Alagoas tem o pior desempenho, seguido pela Paraíba e Maranhão.
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