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Negros festejam 13 de maio de forma cr�tica

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FELIPE FARIAS Apesar de não considerar o Dia da Abolição como sua data oficial, o movimento negro preparou atividades para este 13 de Maio. Apresentações artísticas e culturais marcadas para o calçadão do comércio, alusivas aos 116 anos do fim da escravidão no Brasil, vão ser intercaladas por discursos de lideranças de minorias. ?O 13 de Maio não representa efetivamente a liberdade. Por isso, deve ser incorporada ao movimento negro de maneira crítica?, diz Joel dos Santos Rafael, da Coordenação das Entidades Negras de Alagoas (Cenal), responsável pela programação. ?Consideramos que essa data não deve ser para comemoração, mas discussão, uma vez que a Abolição da Escravatura não promoveu a inclusão do negro na sociedade; pelo contrário. São justamente políticas que promovam essa inclusão que estamos cobrando?, acrescenta o professor Amaurício de Jesus, tesoureiro da Cenal. A data considerada oficial pelas entidades do movimento negro é o 20 de Novembro, quando o Quilombo dos Palmares foi destruído pelas tropas de Domingos Jorge Velho, em 1695. Programação O ato público com apresentações culturais alusivas ao 13 de Maio está marcado para ter início às 16h, no calçadão do comércio, com oito atrações. Entretanto, o coordenador faz uma ressalva de que, ?como são muitos os grupos de cultura ligados ao segmento, esse número pode ser maior. Muitos têm dificuldades de transporte, mas se interessam em participar. Em rigor, quem aparecer, participa?. Atrações Entre as atrações estão programadas apresentações de dança, capoeira e bandas de música afro. Estão relacionados o Grupo Raiz, a Federação Alagoana de Capoeira, que fará uma grande roda da dança, esporte e luta com membros de diferentes grupos, uma apresentação de afoxé e outra de maculelê, a cargo do Grupo Ginga Brasil, e o Grupo Cultural Malungos do Ilê. A programação deve ser encerrada com apresentação de uma banda de reggae. Ontem à noite, as atividades foram abertas com exibição do curta-metragem ?O fio da memória?, do cineasta Eduardo Coutinho, que aborda questões sociais ligadas ao negro, seguida de debate. Abolição O tesoureiro da Cenal lembra que a Lei Áurea acabou com a escravidão, mas criou uma legião de excluídos. ?Aconteceu o mesmo com as duas leis que a antecederam, a do Ventre Livre e a do Sexagenário. A primeira, deixou as crianças recém-nascidas nessa condição; a segunda, os maiores de 60 anos?, relembra. Ambas promulgadas durante o reinado de Dom Pedro II concediam liberdade, respectivamente, aos negros nascidos após a data e aos que completassem 60 anos. Segundo ele, o segmento cobra políticas reais de inclusão social voltadas para educação, moradia e emprego, mas que não fiquem restritas apenas aos negros. ?Cobramos isso para todos os segmentos de minorias, como índios, homossexuais e deficientes?, reivindica. ?A abolição não representou a restituição efetiva da liberdade. Por isso que ela é motivo muito mais para discussão do que para comemoração?, resume Joel.

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