Cidades
Delegado nega que tenha citado deputado
MARCOS RODRIGUES O depoimento do delegado Roberto Jorge Lisboa, diretor-geral da Polícia Civil, sobre o suposto envolvimento do deputado Luiz Pedro (PDT), com policiais ligados ao bicheiro Plínio Batista, frustrou a imprensa e até parlamentares. O nome de Luiz Pedro foi divulgado depois que a polícia revelou transcrições de telefonemas gravados entre o policial Alfredo Pontes e sua irmã, a advogada Cláudia Pontes, que está foragida. Diante dos deputados da Comissão de Segurança, Lisboa disse que nunca fez nenhuma citação que envolvesse o deputado Luiz Pedro com os policiais investigados. Ele confirmou que as escutas telefônicas foram realizadas pela Polícia Federal, a fim de garantir a isenção do trabalho da Polícia Civil. ?Quanto às declarações à imprensa, quero explicar que nunca as fiz e acredito que pode ter havido algum mal-entendido?, disse o delegado. Lisboa apontou detalhes das investigações sobre a morte dos policiais Valter Dias Santana e Sinvaldo Feitosa, e disse que só entrou no caso porque a Secretaria de Justiça e Defesa Social quis dar ?celeridade? às investigações, que estavam paralisadas. Diante dessa revelação, o deputado Paulo Fernando dos Santos (PT) perguntou por que o delegado que iniciou as investigações, Flávio Saraiva, não foi indagado sobre sua atuação no caso. ?Ele (Saraiva) alegou problemas de ordem pessoal, e por isso demos seqüência ao trabalho?, explicou Lisboa. O diretor da Polícia Civil disse que Saraiva não foi investigado pela Corregedoria porque não existem indícios de que possa ter interferido no processo de investigação. Negativa Diante da negativa do delegado Roberto Lisboa de que o deputado Luiz Pedro tenha, de fato, ligação com os policiais Robson Rui e Alfredo Pontes, ambos presos, coube ao deputado Cícero Almeida (PDT) sugerir uma acareação entre os jornalistas que divulgaram as declarações do delegado Dalmo Lima e do promotor Márcio Roberto. ?Se o próprio delegado isenta a ligação do deputado com esses policiais, e se ele não confirma as declarações divulgadas na imprensa, só posso vir a sugerir uma acareação, aqui na Casa, entre os que escreveram as matérias e as pessoas citadas?, sugeriu Almeida, enquanto defendia seu colega de partido. A proposta do deputado não foi acatada, de imediato, mas poderá ser analisada numa reunião da Comissão de Segurança, na próxima terça-feira. A revelação mais surpreendente da sessão pública foi dada justamente pelo deputado Luiz Pedro. Um dia depois de dizer que havia sido procurado, apenas por telefone, por pessoas ligadas aos policiais presos, Luiz Pedro citou que um policial, que identificou apenas como Teixeira, o procurou em um de seus conjuntos habitacionais da periferia, para lhe pedir dinheiro. ?Eu não dei e perguntei se os assaltos que ele vinha praticando não estavam rendendo dinheiro?, revelou o parlamentar. O deputado, que está afastado da PM, disse que ?odeia bandido? e que alertou o comandante da PM sobre a entrada, na corporação, de 21 ?bandidos?, que teria prendido no exercício de sua atividade como policial. Luiz Pedro chegou a interromper o depoimento do delegado Roberto Lisboa, duas vezes, para dizer a mesma coisa: ?Eu não sou bandido, não gosto de bandido e quando sei onde estão, eu os denuncio?.