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Consumo

PROCURA POR CARNE TEM QUEDA DE 40% NOS MERCADOS DE MACEIÓ

Preço alto do produto faz consumidores alagoanos optarem por itens como embutidos, pés e pescoços de galinha, carcaças e vísceras

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Comerciantes dizem que consumidores de Maceió estão comprando carne cada vez menos
Comerciantes dizem que consumidores de Maceió estão comprando carne cada vez menos -

“Está fraco, com a carne cara, está saindo mais carne com osso. O que mais procuram é ossada, carcaça”. A constatação é de Elialdo Brandão, comerciante que atua no Mercado do Jacintinho há 26 anos. Ana Lúcia, comerciante avícola do mercado, também aponta o mesmo diagnóstico. “Por dia, saem uns R$ 200 de pé e pescoço, coisa que de jeito nenhum saía. Era um negócio que o povo nem queria comer”, afirma. A situação econômica do país tem empurrado cada vez mais a população para a busca de alternativas que caibam no bolso. Em reflexo disso, de acordo com a série histórica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o nível de consumo de carne vermelha no país é o menor registrado em 26 anos. Na capital alagoana, a diminuição do consumo tem refletindo ainda na dificuldade econômica que atinge os próprios comerciantes, uma vez que a “mistura” se torna cada vez mais escassa, enquanto os clientes que ainda frequentam os mercados populares recorrem a opções mais baratas. “Salsicha, embutidos, linguiça. Hoje não está sendo mais nada rejeitado. As pessoas estão consumindo tudo de mais barato para não passar fome, porque a gente sabe que aqui no estado há famílias passando fome depois da pandemia. Carcaça, vísceras. Estão diversificando as coisas que compram para poder suprir as necessidades. Para quem vende, está difícil administrar as contas, os consumidores não estão vindo. Pensamos até em fazer propaganda. Os mercados estão com uma qualidade muito melhor, todos os mercados, uma qualidade de preço e de alimento, de higiene, depois da limpeza da Prefeitura, e isso é excelente. O preço aqui também é mais em conta”, afirma Antonieta Valéria, que vende carne há seis anos também no Mercado do Jacintinho. Ela destaca que, no seu ponto, a diminuição do consumo foi maior do que 40%. O aumento dos preços e o fim do auxílio emergencial foram apontados como causas. No entanto, com as constantes altas em diversos setores da economia, não atinge apenas o setor de carnes. A área de frutos do mar também sentiu a evasão da clientela. O comerciante Giderson da Silva comenta que as dificuldades econômicas atingiram a todos, mas que a proximidade das festas gera certa esperança para a classe. “O preço não está tão adequado, está chegando caro para gente também, mas o povo está chegando. O pessoal chega aqui reclamando do preço da carne. Nem todo mundo está trabalhando, aí compram menos. Quem comprava 3kg agora compra 1,5kg e a gente sente que sumiu um cliente ou outro. Acredito que agora no período de festas sempre dá uma melhorada”, conta. A alta dos preços da carne chegou a um acúmulo de 34% em 12 meses, durante o ano. Após a primeira baixa em 16 meses, no último mês de outubro, a alta seguiu ainda com 22% de acumulado.

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