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Filho de Ceci culpa Talvane pelo assassinato da m�e

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BLEINE OLIVEIRA A família da deputada federal Ceci Cunha, assassinada em dezembro de 1998, tem absoluta convicção de que o mandante do crime é o ex-deputado Talvane Albuquerque, e os executores foram aqueles citados no processo de investigação. Aos 23 anos, estudante do último ano de Direito na Universidade Federal de Alagoas, o filho da deputada, Rodrigo Cunha, reafirma a posição que a família manifesta desde a tragédia, e descarta as versões posteriores, inclusive a que envolve o ex-governador Manoel Gomes de Barros. ?Nossa convicção é baseada nos autos [o processo], onde todas as provas mostram que só ele [Talvane] tinha interesse na morte de minha mãe?, declarou Rodrigo, admitindo que falar no caso ainda lhe provoca muita emoção e revolta. A revolta, explica, é ver que o bárbaro crime ainda está impune. Junto com Ceci foram assassinados o esposo dela, Juvenal Cunha, o cunhado Iran Carlos Maranhão e a mãe deste, Ítala Neide Maranhão. A versão apresentada esta semana, de que o ex-governador Mano teria encomendado o assassinato da deputada e pago R$ 300 mil ao grupo liderado pelo policial Robson Rui, não mudou a convicção da família de Ceci Cunha. ?Essa versão é uma manobra que só beneficia os verdadeiros criminosos, que tentam confundir a sociedade e se beneficiar adiando o julgamento?, declarou Rodrigo Cunha. O ex-governador foi apontado como mandante por Walkmar dos Santos, integrante de uma quadrilha de policiais civis que trava um ?guerra? pelo controle do dinheiro obtido em crimes. Para Rodrigo, a estória de que sua mãe teria recebido R$ 2 milhões para desistir da reeleição e candidatar-se à vice-governadora na chapa de Mano, em 1998, é mentirosa. ?Esse dinheiro nunca existiu?, afirmou. ?Uma acusação como essa mancha a memória de minha mãe, uma mulher de paz, avessa a qualquer tipo de violência. Ela trabalhou pela vitória do ex-governador?. Dizendo-se confiante de que Talvane Albuquerque e seus assessores Jadielson Barbosa, Alécio Alves e Mendonça Medeiros, apontados como autores da chacina que matou a deputada no mesmo dia em que ela foi diplomada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas, serão submetidos a júri popular, o jovem Rodrigo aponta o processo como a prova incontestável da culpa dos acusados. Nos autos, há informações mostrando que, na noite do assassinato, os acusados falaram entre si ao telefone na mesma área em que o crime foi praticado, a casa da irmã da deputada, no bairro da Gruta de Lourdes. Há ainda o depoimento dessa irmã de Ceci, que não morreu por ter se escondido com o filho recém-nascido embaixo de uma cama. Em várias oportunidades, ela apontou dois dos assassinos, testemunho confirmado em todas as vezes que lhe foi exigido pela Justiça. Outro argumento da família é a fita de vídeo em que um dos acusados, em depoimento à Polícia Federal, assume a autoria do crime. ?Além de todos esses fatos, não se pode dar credibilidade a uma fonte desqualificada, envolvida em ilícitos penais, que fala em termos de ouvir dizer. Confiamos na Justiça e vamos continuar mobilizados até o julgamento dos criminosos?, declarou Rodrigo. Enquanto espera, ele vive com o cuidado exigido após as ameaças de morte que disse continuar recebendo. Sem andar com seguranças, mas adotando medidas como não freqüentar lugares que possam trazer risco à sua integridade física, não deixar seus trajetos se tornarem rotineiros, Rodrigo dá sinais de serenidade, apesar de marcado por uma tragédia como o assassinato violento dos pais.

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