Cidades
DURANTE JULGAMENTO DE PM, MÃE DE JOVENS MORTOS DIZ QUE CRIME DESTRUIU FAMÍLIA
No julgamento do PM, Fátima disse que filhos foram mortos na primeira vez que saíram sozinhos
“Minha família foi destruída”, afirmou Maria de Fátima Ferreira, mãe dos irmãos Josivaldo Ferreira Aleixo e Josenildo Ferreira Aleixo (ambos com deficiência intelectual), que foram mortos durante uma abordagem policial em março de 2016, no Conjunto Village Campestre. A declaração foi dada ontem.), durante julgamento do policial militar Johnerson Simões Marcelino, acusado de matar as vítimas.
O réu é acusado pela morte dos dois jovens, além do pedreiro Reinaldo da Silva, que estava do outro lado da rua, foi atingido por tiro e morreu. “Foi o primeiro dia em que deixei eles saírem sozinhos. Antes disso, sempre andaram comigo. O pai dos meninos, que já estava doente, morreu depois do que aconteceu com eles”, relata a mãe.
Segundo ela, os meninos nunca apresentaram mal comportamento e tinham ido para a casa da madrinha, onde brincavam com o filho dela, de cerca de sete anos.
Na versão dos PMs do 5º Batalhão, os jovens levavam uma pistola 380 e uma espingarda. Eles teriam sido abordados após um informante denunciar a Johnerson que os irmãos estariam em posse das armas, com a espingarda desmontada, em uma bolsa.
No entanto, segundo a mãe, os meninos saíram sem bolsa naquele dia. “Ele foram apenas com o cartão de deficiente e os celulares. Eu mesma coloquei eles no ônibus de manhã”, conta.
Ela apontou também que, mesmo com os documentos, os meninos foram postos como indigentes no IML. “Como que eles foram revistados, se colocaram eles como indigentes, eles com documentos. Os cartões nunca voltaram pra mim, nem os celulares”, disse.
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A defesa disse que os documentos constam nos autos do processo e apontou contradições com depoimentos anteriores, que ela justificou como efeitos dos remédios que passou a tomar após as mortes. “Eu tomava remédio contra ansiedade antes, mas hoje tomo até tarja preta. Eu estava dopada de remédios, era muito recente [à data do primeiro depoimento]”. Os advogados também apontaram o analfabetismo da mãe, após ela afirmar que acompanhava as conversas e postagens dos meninos nas redes sociais. Até o fechamento da página, o julgamento não havia sido concluído.