Cidades
“É IMPROVÁVEL QUE PASSEMOS ILESOS PELA 4ª ONDA DA COVID”, DIZ MÉDICO
Infectologista defende manutenção do uso da máscara em local aberto e aumento de pessoas vacinadas
O infectologista Reneé Oliveira, que acompanha a pandemia da Covid-19 desde que os primeiros casos surgiram na China, há quase dois anos, acredita ser improvável que o Brasil passe ileso ao que parece ser a quarta onda da doença registrada na Europa.
“Eu acho improvável que a gente consiga sair ileso da chamada quarta onda. Eu acredito que teremos um aumento no número de casos. Por exemplo, ontem eu estava no Samu e transferi uma senhora de 72 anos com Covid, com saturação baixa e oito dias de evolução. Nunca mais eu tinha transferido uma paciente daquela. Ela tinha tomado duas doses da vacina”, conta Reneé Oliveira.
O infectologista lembra que as cidades têm demonstrado que podem não realizar o Carnaval em 2022 e que essa é uma atitude correta, já que a vacinação ainda não atingiu o percentual desejado.
“Pensando bem, acredito que a maioria dos municípios deve bloquear o Carnaval. É a atitude correta, sei que estamos cansados dessa história toda, mas no momento é a atitude correta. A gente estava tranquilo até duas semanas atrás, mas apareceu essa coisa na Europa e agora todo o mundo está com medo”, detalha. Na opinião do médico Reneé Oliveira, apesar do avanço da vacinação, “para termos um Carnaval é preciso acelerar para chegar a mais de 80% dos vacinados com as duas doses contra a Covid. A situação deve ser avaliada em dezembro. Se a curva de transmissão estiver acima de 1, se isso acontecer, vai ter que ser cancelado. É preciso vacinar maior número de pessoas, tomar os cuidados e continuar com a máscara”, afirma.
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Ele acrescenta que deveria ser mantido o uso da máscara mesmo em locais abertos. Em relação ao Carnaval 2022, na última quarta-feira (24), a Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) recomendou prudência aos gestores e diz que vai analisar quadro para orientar sobre segurança do evento.
NOVA VARIANTE
Informação publicada na imprensa ontem mostra a preocupação de cientistas com a variante B.1.1.529, descoberta pela primeira vez em Botsuana e com seis casos de infecção confirmados na África do Sul e apresenta um ‘número extremamente alto’ de mutações, o que pode levar a novas ondas de Covid-19.
“Foram confirmados dez casos em três países (Botsuana, África do Sul e Hong Kong) por sequenciamento genético, mas a nova variante causou grandes preocupações aos pesquisadores porque algumas das mutações podem ajudar o vírus a escapar à imunidade. Os primeiros casos da variante foram descobertos no Botsuana, em 11 de novembro, e na África do Sul três dias depois”, diz trecho de reportagem publicada na Agência Brasil.
A variante B.1.1.529 tem 32 mutações na proteína spike, a parte do vírus que a maioria das vacinas usa para preparar o sistema imunológico contra a covid-19. As mutações na proteína spike podem afetar a capacidade do vírus de infectar células e se espalhar, mas dificultar o ataque das células do sistema imunológico sobre o patógeno.