Cidades
Alagoas tem os �ndices mais �altos de desmame precoce
BLEINE OLIVEIRA As estatísticas mostram que é grave a situação das crianças alagoanas em relação ao descumprimento de seu direito à amamentação. O Estado é o último colocado em termos de duração do período de amamentação, com menos de seis meses. O dado foi revelado ontem, no primeiro dia de debates da II Jornada Alagoana de Aleitamento Materno, promovida pela Secretaria Municipal de Saúde, no Hotel Ritz Lagoa da Anta, em Cruz das Almas. Já quando se trata de estados onde prevalece o uso da mamadeira na faixa etária de 0 a 12 anos, Alagoas aparece como o primeiro colocado. Ou seja, aqui, a amamentação materna é precocemente substituída por alimentação artificial, o que significa prejuízos ao desenvolvimento da criança. As pesquisas, que mostram Alagoas como o quarto colocado no uso de chupeta na mesma faixa etária, foram realizadas pela Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar (Rede IBFAN). ?Essa é uma realidade cruel que precisa ser modificada?, afirma a médica Carla Betânia de Mesquita Lima, da Rede IBFAN em Alagoas, admitindo que esse desmame precoce é um dos diversos fatores que elevam os índices de mortalidade infantil no Estado. A criança, ressalta a médica, tem o direito ao leite materno do nascimento até os dois anos de vida. O leite materno é um aporte nutricional que os especialistas consideram fundamental, contribuindo, inclusive, com o desenvolvimento intelectual das crianças. ?É também o alimento mais democrático, por ser igual tanto para o recém-nascido de família rica quanto o que nasce na periferia?, argumenta Carla Mesquita, recomendando às mães que evitem ao máximo os alimentos industrializados. A jornada, que será encerrada amanhã, traz para Alagoas especialistas na promoção e garantia dos direitos da criança, especialmente o direito a amamentar-se com leite materno. No evento, destinado a todos os profissionais de saúde, está sendo discutida também a agenda de compromissos para a saúde da criança. Segundo a coordenadora municipal de saúde da criança, médica Sandra Maria Magalhães, Alagoas precisa adotar providências para cumprir os 12 itens dessa agenda, que inclui medidas de combate à violência, maus tratos e doenças sexualmente transmissíveis. ?Precisamos, por exemplo, de mais hospitais amigos da criança?, sugere, referindo-se aos dez passos a serem seguidos por hospitais que têm serviço de maternidade e assistência a recém-nascidos.