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Cotas na Ufal podem gerar corrida � rede p�blica

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FÁTIMA ALMEIDA O sistema de cotas que o governo federal pretende implantar nas universidades federais, sobretudo a que prevê uma reserva de 50% das vagas para estudantes egressos de escolas públicas, pode provocar um estrangulamento na rede pública de ensino médio. Essa é a avaliação de alguns especialistas, entre eles o professor Élcio Verçosa, diretor do Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e presidente do Conselho Estadual de Educação e da professora Jarede Viana, também membro do Conselho. A perspectiva é de que haja uma verdadeira corrida de alunos de escolas particulares em busca de vagas, gerando filas também nas escolas públicas de segundo grau. Por outro lado, na opinião do professor Verçosa, o governo corre o risco de, com o sistema de cotas, tentar resolver os problemas das escolas públicas criando atalhos, caminhos mais curtos que resolvam o problema lá em cima. Ele reconhece que as cotas para índios e negros está inserida numa reparação histórica mas questiona, em relação às cotas para estudantes de escolas públicas: ?Todos os critérios de cotas estabelecem nota mínima. Será que esse estabelece??. A preocupação do professor está no fato de que alunos aprovados com média muito baixa, beneficiados pelo sistema de cotas, provavelmente terão dificuldades em acompanhar os conteúdos da Universidade. ?Não há quem garanta que não haja reprovação em massa no primeiro ano da Universidade, porque entrar é uma coisa, mas freqüentar, cursar, acompanhar, é diferente. E aí, como resolver esse nó??, observa. Distorções Para Jarede Viana, o sistema de cotas é válido para corrigir distorções históricas que consolidam injustiças sociais, mas não basta isso. Ela observa que as cotas para mulheres nos partidos políticos, por exemplo, não resolvem o problema da representatividade feminina nos cargos eletivos porque existem outros fatores que continuam inibindo a participação da mulher, que não foram atacados, mas acredita que o caminho é viável. ?Pelo menos o poder público assume como irregular a exclusão do estudante pobre e das chamadas minorias, no acesso ao ensino superior?, reflete. Na sua opinião, entretanto, a medida surtiria melhor efeito se fosse estabelecida a cota para estudantes carentes, vinculada, por exemplo, à renda per capita familiar. Entretanto, na ótica dos dois, a cota de 50% não tem só aspectos negativos. Para o professor Élcio Verçosa, ela pode também provocar uma reformulação nos conceitos da escola pública, tornando-a mais competitiva e obrigando o governo a maiores investimentos. ?Criou-se um conceito equivocado de que a escola pública é escola de pobre, e na mentalidade brasileira há uma tendência muito forte à concepção de que o que é para o pobre pode ser feito de qualquer jeito e que basta ampliar o número de vagas. Errado! A quantidade tem que ser compatível com a qualidade?, destaca ele, complementando que, se houver essa procura pela classe média as escolas públicas vão ganhar um público mais exigente, com maior poder de pressão, o que pode trazer mais qualidade.

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