Cidades
Popula��o vai �s ruas contra aterro em Marechal
FÁTIMA ALMEIDA Estudantes, moradores, ambientalistas, pescadores, dirigentes sindicais, vereadores de oposição e da situação foram às ruas, ontem pela manhã, em Marechal Deodoro, para dizer não à proposta de localização do aterro sanitário de Maceió e região metropolitana no Tabuleiro de Marechal, região onde está implantado o Pólo Cloroquímico. Com faixas e palavras de ordem eles saíram em passeata da Câmara Municipal até o coreto da velha capital, na Praça Pedro Paulino, onde os vereadores realizaram uma sessão pública para discutir o assunto e ouvir opiniões de técnicos e da população. A área, que foi indicada entre outras, num estudo realizado pela Universidade Federal de Alagoas, ganhou a preferência dos dirigentes desses municipais, inclusive de Marechal, para implantar um aterro consorciado. Na semana passada foi publicado um protocolo de intenções assinado entre as prefeituras de Maceió, Marechal Deodoro, Santa Luzia do Norte, Coqueiro Seco e Satuba para a formação de um consórcio de gerenciamento de resíduos sólidos e implantação do aterro, o que provocou a reação popular e da classe política. ?Aqui só existe uma unanimidade em relação a essa questão: somos contra. Todos os vereadores de Marechal Deodoro são contrários à implantação do aterro sanitário consorciado em território do nosso município?, destacou o presidente da Câmara, vereador Flávio Teixeira. Ele observou que o Tabuleiro do Pólo é uma das maiores fontes hídricas do município, de onde sai o abastecimento dos povoados de Santa Rita, Massagueira, Barra Nova, e por onde passam as lagoas Mundaú e Manguaba. Além do mais, observa o vereador, ?serão mais de 100 caminhões de lixo passando diariamente pela AL-101 Sul, rota turística para o litoral sul do Estado, já estrangulada com o trânsito normal. E mais, essa área fica de frente para o centro histórico, cuja população vai sofrer com o mau cheiro trazido pelos ventos Nordeste, sem contar com a possibilidade concreta de formação de favelas ao redor do aterro sanitário?, destaca o vereador. ?Não podemos correr riscos de contaminação do lençol freático daquela região, e esse risco existe, todos nós sabemos, basta lembrar a trágica experiência do vazamento de organoclorados da Alclor, há mais de dez anos. Não podemos deixar esse legado para as gerações futuras?. Ausência O secretário de Meio Ambiente de Maceió, Alder Flores, foi convidado para a sessão pública sobre o aterro sanitário, mas não compareceu, assim como o de Marechal Deodoro, Hédson Cavalcante. O secretário Estadual de Recursos Hídricos e Meio Ambiente e presidente do Conselho Estadual de Proteção Ambiental (Cepram), Anivaldo Miranda, participou e destacou mais uma vez que está havendo precipitação de quem está passando a questão como definida. ?O consórcio é uma boa solução, esta é a minha opinião pessoal. Mas resta saber qual é a área mais adequada, e isso não foi definido?, destacou. Anivaldo reforçou ainda que a decisão tem que passar por discussões em audiências públicas e por várias outras etapas que ainda não foram cumpridas. ?A carta de intenções foi tirada numa reunião entre representantes dos municípios, mas não tem nada aprovado pelo Cepram e nem terá se não estiver tudo de acordo com a tramitação legal. Se não houver acordo para o consórcio, não vai haver nem votação no Conselho. E tem mais, se não for consenso, o Ministério Público certamente vai intervir e qualquer cidadão também pode recorrer de qualquer decisão, porque isso lhe diz respeito?, disse Anivaldo durante a sessão. Ele lembrou também que além da discussão pública, todo esse processo tem que passar pela aprovação das câmaras de vereadores de todos os municípios envolvidos. Anivaldo destacou, entretanto, que Marechal Deodoro, assim como Maceió e todos os municípios, tem que encontrar solução para o seu lixo. ?Os lixões têm que ser transformados em aterros, se a solução for o consórcio, ótimo, mas essa não é a única decisão. Se a localização é Marechal Deodoro, tem que se discutir também a compensação. Os municípios vão usar a área, terão que pagar para Marechal receber o lixo deles. E o impacto ambiental disso tudo?, questiona Anivaldo.