MENSAGENS DE ÓDIO
PASTORA BATISTA É AMEAÇADA POR CELEBRAR CASAMENTO HOMOAFETIVO
Odja Barros é teóloga, tem mais de 28 anos de pastorado evangélico e proclamou união de duas mulheres
A pastora batista e teóloga Odja Barros, que proclamou o primeiro casamento entre duas mulheres celebrado por uma autoridade religiosa em Alagoas, denunciou ontem que está sofrendo ameaças após o ato religioso.
De acordo com a religiosa, um homem, que diz ser de Maceió, enviou áudios com ameaças de morte por ela ter celebrado a união homoafetiva. “Disse que ia me matar, que iria atirar na minha cabeça. Disse que sabe onde estou e quem são as pessoas próximas a mim. Isso ultrapassou o que eu, até então, estava administrando de mensagens de ódio”, relatou a pastora.
Além de enviar mensagens ao perfil pessoal da religiosa, o suspeito enviou fotografias em que colocava uma Bíblia ao lado de uma arma, reforçando a motivação para as ameaças. “Ele se diz religioso, cristão. Mandou foto com a arma e a Bíblia. Esse tipo de comportamento tem se multiplicado nesse ambiente fundamentalista religioso que estamos vivendo. Não podemos mais ficar recebendo esse tipo de coisa e dizer ‘tá bom’, precisamos reagir”, afirma Odja Barros.
No começo da tarde de ontem, familiares da pastora compartilharam o apelo para que as autoridades alagoanas deem atenção ao caso. Além de formalizar a situação em um Boletim de Ocorrência, a pastora procurou a Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos do Estado de Alagoas. “Acredito que nesses momentos precisamos ter o máximo de proteção. E entendo que o que eu estou vivendo tem a ver com os direitos humanos. Estou sofrendo esses ataques em função da nossa fé, da Igreja Batista do Pinheiro”, comentou.
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“A minha mãe recebeu ameaças de morte no Instagram dela. Um louco, que se diz de Maceió, mandou foto de arma, áudios dizendo que estava monitorando ela e a família, que vai dar cinco tiros na cabeça dela por celebrar um casamento homoafetivo”, postou a filha da pastora em uma rede social. “Eu tô sem chão com isso tudo”, completou.
MENSAGENS DE ÓDIO
Segundo Odja Barros, as mensagens de ódio em seu perfil pessoal no Instagram começaram a surgir após perfis de fofocas compartilharem a notícia sobre a celebração do casamento religioso. Ela precisou da ajuda das filhas para administrar a quantidade de mensagens que estava recebendo nas redes sociais e, juntas, acabaram se deparando com ameaça de morte.
“Conversamos com policiais e advogados que são membros da igreja. Eles me orientaram a fazer a denúncia formal e estamos procedendo com essa seriedade, até para cobrar e visibilizar esse tipo de intolerância, que envolve ódio, homofobia e misoginia. Isso é claro nas mensagens, ele me ofende na minha posição de mulher, pastora e teóloga. São mensagens ofensivas e absurdas, coisa terríveis”, conta a pastora.
De acordo com Odja, hoje ela se reunirá com autoridades para pedir celeridade na identificação do autor das ameaças. “Isso me deixa muito vulnerável. Sou pastora, minha atividade é pública. Ministro na igreja, onde as pessoas entram livremente”, lembrou.
ENTENDA O CASO
No sábado, 11 de dezembro, a pastora e teóloga Odja Barros, da Igreja Batista no Pinheiro, em Maceió, realizou pela primeira vez um casamento entre duas mulheres. De acordo com a religiosa, que tem 28 anos de pastorado, o casamento foi como qualquer outro em termos de ritos. A união homoafetiva ocorreu em um salão de festas da capital alagoana. Apesar de não ser o primeiro casamento entre pessoas do mesmo sexo realizado por pastores no Brasil, foi a primeira cerimônia celebrada por uma mulher, que em muitas igrejas batistas sequer podem exercer função de liderança.