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Impunidade alimenta crimes contra mulheres

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FÁTIMA ALMEIDA A impunidade é um dos principais fatores que alimentam a cultura machista de que a defesa da honra do macho pode justificar os chamados crimes passionais, diz a coordenadora do Núcleo Temático Mulher e Cidadania da Universidade Federal de Alagoas, Maria Aparecida Batista de Oliveira. Na sua opinião, a cultura machista está internalizada no imaginário da população brasileira e mundial e atravessa civilizações e sistemas econômicos, apesar da mudança de papéis em muitas famílias, onde a mulher tornou-se provedora. ?É esse ideário, reforçado pela sociedade de forma sutil, por meio de modelos educacionais formais e informais, que acaba por legitimar a legalidade de domínio e de poder do gênero masculino sobre o feminino. Não se pode falar em democracia plena enquanto não houver um tratamento igualitário na questão de gênero, com a mulher tornando-se senhora de seu corpo, sua história e sua vida?. Ela mostra, ainda, que as estatísticas, que apontam o marido ou companheiro como responsável pela maioria das lesões físicas à mulher contrasta com o idealismo burguês que mostra o lar como o local do amor, o porto seguro. ?Na verdade, a mulher confinada no espaço doméstico e é lá que ela sofre agressões de várias formas, desde a ameaça psicológica até a agressão física e morte. E essa violência e dominação são expressadas dia a dia, pelo marido, pelo companheiro, pai, tio, irmão, e constatada em todas as classes sociais, mas com mais incidência nas camadas menos favorecidas?, diz ela. Essa relação de amor e ódio, de violência e morte, é o tema do trabalho de dissertação de mestrado de Aparecida, embasado em pesquisas sobre os últimos 10 anos, em Maceió. Também não será dessa vez que alguém vai conseguir responder com base científica por que o homem bate em nome do amor? E por que a mulher se submete a apanhar? Em todo o caso, ela acredita que a educação, nas escolas e fora delas, é o instrumento mais poderoso contra essa cultura, e tem que ser levado a sério, multiplicando fóruns, como o próprio Núcleo da Ufal, que desenvolve pesquisas e ações com a proposta de se constituir num espaço de produção e socialização do conhecimento acerca das relações de gênero.

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