Cidades
Inverno: o perigo nas �reas de risco
FELIPE FARIAS A falta de uma coordenação de Defesa Civil municipal estruturada e o aumento das áreas de risco na cidade são motivos de preocupação para a população e autoridades. A falta dessa estrutura básica é o principal obstáculo que impede Maceió de receber verbas para prevenir tragédias decorrentes do período de chuvas, que começou essa semana, segundo o radar meteorológico da Ufal. Estudo elaborado pelo coordenador da comissão municipal, Galvacy de Assis, obtido pela GAZETA, estima em cerca de R$ 80 milhões o montante necessário para ?humanizar? as 76 grotas identificadas como áreas de risco em potencial, que abrigam cerca de 300 mil moradores. São obras como limpeza de canais, drenagem e construção de muros de contenção e escadarias. Além de servir de infra-estrutura para as comunidades, elas podem funcionar como fator de proteção. ?Temos de ser realistas: não dá para retirar todos esses moradores, nem tampouco vamos poder construir casa para todo mundo. O jeito então é fazê-los conviver com o problema?, explica o coordenador, que, na verdade, é o diretor de fiscalização da Secretaria Municipal de Controle do Convívio Urbano (SMCCU). A rotina dos oitenta homens do setor tem mais a ver com retirada de ambulantes ou demolir construções irregulares. Somente quando os deslizamentos de barreira castigam os moradores de encostas é que os fiscais de posturas se convertem nos ?anjos da guarda? dos desabrigados. Improviso Ele admite que, na prática, o trabalho da comissão como defesa civil é uma espécie de improviso, se comparado ao que poderia ser feito pela Coordenação ? se ela existisse. ?A coordenação trabalharia o ano todo, enquanto que hoje só atuamos na ocorrência dos sinistros?, ressente-se. Por isso é que o documento, elaborado com a intenção de captar recursos junto ao governo federal, nunca chegou ao destino, a Secretaria Nacional de Defesa Civil. ?A comissão não possui a personalidade jurídica que a Secretaria exige para considerá-la um interlocutor aqui?, completa o coronel PM Jadir Ferreira, comandante do Corpo de Bombeiros (CB) e coordenador estadual da Defesa Civil. ?E não é preciso muita coisa; na verdade, apenas uma troca de palavras: basta uma lei municipal transformando a comissão em coordenação?, acrescenta Galvacy.