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NATAL NAS RUAS: FAMÍLIAS PASSAM NOITE EM SINAIS PEDINDO ESMOLA LUCAS ROCHA ESTAGIÁRIO O Natal é uma data de fé e esperança para muitas pessoas. A data é momento de confraternização e reunião de diversas famílias e é cercada por uma atmosfera de fartura e celebração, com as tradicionais ceias e troca de presentes. No entanto, o alcance das luzes e cantos natalinos é limitado. A pandemia conseguiu esfriar o espírito de amparo e caridade dessa época, uma vez que até para as esmolas o bolso do bras

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Maceió, 24 de dezembro de 2021
Famílias pedindo ajuda nos sinais de trânsito em Maceió. Alagoas - Brasil.
Foto:@Ailton Cruz
Maceió, 24 de dezembro de 2021 Famílias pedindo ajuda nos sinais de trânsito em Maceió. Alagoas - Brasil. Foto:@Ailton Cruz -

O Natal é uma data de fé e esperança para muitas pessoas. A data é momento de confraternização e reunião de diversas famílias e é cercada por uma atmosfera de fartura e celebração, com as tradicionais ceias e troca de presentes. No entanto, o alcance das luzes e cantos natalinos é limitado. A pandemia conseguiu esfriar o espírito de amparo e caridade dessa época, uma vez que até para as esmolas o bolso do brasileiro está mais pesado esse ano. “O Natal da gente está mais ou menos. Está difícil pra arrumar as coisas, nessa Pandemia uns dão outros não, a crise tá muito difícil. Está tudo caro, pagando imposto de tudo. Por isso a gente tá aqui na rua: para comprar comida. E está ruim pra ganhar as coisas, estamos desempregados, e as contas de água, luz, aluguel, tudo se acumula”, afirma Talita Taynara. Ela desceu do Benedito Bentes, onde mora, para o sinal do cruzamento na Rua deputado José Lages, na Ponta Verde. Ali, a mãe consegue, pela bondade de quem está saindo dos estabelecimentos, alguns remédios e produtos para os filhos, João e Maria, de 2 e 5 anos, respectivamente. “Ainda tem um pessoal rico que ajuda a gente, mas já chegou hora de eu não ter o que comer. Sorte nossa é quando alguém nos dá a feira”, conta. E ela não está sozinha. Talita faz parte de um grupo de diversas famílias que descem, do mesmo conjunto habitacional, de moradores evadidos da favela do Jaraguá, e vão para o mesmo cruzamento para arrecadar dinheiro e alimentos. Mesmo assim, nem sempre a população do local ajuda as famílias que pedem. O grupo foi para lá ainda na noite de quinta-feira (23) e pretende permanecer até a segunda-feira. “O pessoal pensa que a gente tá aqui por que quer. Isso não existe, falta oportunidade. Famílias diferentes, todos descem para ponta verde. A gente vem em dia de festa que o pessoal dá mais. Mas, tem dia que a gente não almoça, o povo dá comida azeda e manda a gente arrumar um emprego, como se tivesse”, relata Talita. Ao lado dela, pai de duas meninas gêmeas de sete anos, Paulo Henrique dos Santos, um dos moradores, pede no sinal, com uma placa de papelão e uma das meninas no colo, enquanto Talita fica na porta da farmácia com os filhos. Ali, otimista, ele ainda esperava conseguir, na manhã da véspera de Natal (24), a ceia para a família. Após quatro anos trabalhando como gari, o rapaz não conseguiu emprego após o fechamento da empresa, e já está há oito anos dependendo de doações. “Já fui até no Sine, mas nunca consegui nada. Não tenho estudo, mas, nem que fosse para limpar banheiro eu ia, pelo menos serviços gerais”, conta. Ao lado da farmácia, diversas outras famílias se sentam juntas na calçada, com algumas crianças brincando. Ali, Marcela de Oliveira já ajuda o marido, que trabalha como pescador, a carregar a moto com as cestas básicas que já recebeu no dia. Dos oito filhos, a mulher de 31 anos permanece com dois para criar. “Lá a gente paga a casa, a água, a energia. Depois que entrou a pandemia, a necessidade aumentou e a gente tá aqui para os filho não passar fome. Dei cinco meninos, porque não tinha como”. Em outra parte da cidade, em um cruzamento no bairro do Farol, Mikael Bruno, de 14 anos, junto com Cauã dos Santos e André Marinho, ambos com 15 anos, também pedem dinheiro nos sinais, limpando o vidro dos carros. Mikael e Cauã são filhos do mesmo pai, mas moram em casas diferentes. Já André mora com o avô, que é jardineiro. Apesar dos meninos afirmarem que não se deixa faltar nada em casa, a situação não é de fartura e já esteve pior durante a pandemia. “Agora melhorou porque minha mãe conseguiu emprego de faxineira. Mas, durante a pandemia, foi mais difícil, faltou mistura. Este ano ainda não ganhei nada”, conta o menino.

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