Cidades
Sa�de admite falta de medicamentos em postos
FÁTIMA ALMEIDA As prateleiras das farmácias dos postos de saúde de Maceió estão literalmente vazias. Nunca faltou tanto medicamento por tanto tempo como agora, reconhece a coordenadora de Farmácia e Bioquímica da Secretaria Municipal de Saúde, Monalisa Santos. ?Estamos no final de maio, já deveríamos estar consumindo medicamentos do Ministério da Saúde, do segundo lote de 2004, mas até agora não recebemos nem o primeiro, que deveria ter sido liberado em janeiro?, observa. Soma-se a isso a crise do Laboratório Industrial Farmacêutico de Alagoas (Lifal), que não tem conseguido cumprir com a entrega dos 26 itens de sua responsabilidade, na pactuação com os municípios. ?Houve uma quebra nos compromissos por parte do Estado e do Ministério da Saúde?, reforça Monalisa. O resultado tem sido caótico para a população. Orlando Silva de Oliveira, 62 anos, morador do Benedito Bentes, precisa diariamente de Diazepam para tratamento do sistema nervoso. Anda mais agitado ainda com a via-crúcis que tem cumprido em busca do medicamento. ?Já fui no Benedito Bentes I e II, no Caic, no Salvador Lira e só faltava vir aqui. Também não tem?, reclamava inconformado, ontem pela manhã, depois de receber mais um ?não? no balcão da farmácia do PAM Salgadinho. A doméstica Luciana Onorato veio de Fernão Velho em busca de Mebendazol. Já tinha ido no Benedito Bentes, Cidade Universitária e Rio Novo. Também não encontrou no PAM. ?Até remédio para verme está faltando?, disse revoltada. Cesta básica A situação vai muito mais além. De uma lista de 79 itens que deveriam compor a cesta básica de medicamentos do PAM Salgadinho, por exemplo, existem apenas 16. Falta de um simples AAS ou Dipirona, e até remédios de uso contínuo para o tratamento de Hipertensão, como o Captopril, que, segundo a farmacêutica de plantão, Martha Cecília, inexiste no posto há mais de um mês. ?Estamos orientando as pessoas a retornarem ao médico para que eles mudem a medicação?, diz Monalisa. Mas o usuário sabe que não é tão fácil remarcar a consulta. Quem pode, acaba dando um jeitinho de comprar, quem não pode, tem mesmo que esperar a situação se regularizar. ?O Diazepam custa R$ 10,00, tenho que tomar todos os dias, mas não posso comprar, porque estou desempregado, não tenho benefício?, diz Orlando Oliveira. Evasivas A coordenadora de Farmácia da Secretaria de Saúde não sabe quando a situação estará regularizada. As respostas do Ministério da Saúde são evasivas, mas mesmo assim ela está otimista. ?O Lifal começou a regularizar a entrega. Já recebemos alguns lotes, que estão sendo separados para serem entregues até sexta-feira nas farmácias dos postos de saúde do município?, anuncia ela. E embora o governo federal continue alegando problemas, a própria Secretaria está concluindo o processo de compra de medicamentos que seriam de responsabilidade do Ministério da Saúde ao laboratório Furt, de São Paulo. ?Como trata-se de um laboratório oficial, a tramitação é mais rápida. Falta apenas o parecer da Procuradoria do Município. Acredito que na próxima semana estaremos concluindo o processo e até o final de junho os medicamentos estejam sendo entregues?, explica. Nessa compra estão incluídos os kits do Programa de Saúde da Família, compostos de seis medicamentos básicos, (PSF) que também estão faltando nos postos.