Cidades
HOMEM CONFESSA AMEAÇA A PASTORA E SERÁ INDICIADO POR HOMOFOBIA
Em depoimento à Polícia, acusado disse que não concorda com casamento entre pessoas do mesmo sexo
Um jovem de 25 anos confessou ontem, durante depoimento à polícia, ser o autor das ameaças contra a pastora batista Odja Barros, que foi atacada após celebrar um casamento religioso entre duas mulheres. Ele será indiciado pelos crimes de ameaça, intolerância religiosa e homofobia, segundo a delegada Luci Mônica.
Segundo Luci Mônica, a confissão foi feita durante interrogatório. “Em longo depoimento, ele disse que não concorda com casamento de pessoas do mesmo sexo, como também não concordava com ateus. Disse ser uma pessoa cristã, e que era um teólogo, um estudioso da Bíblia, e por isso não concordava com estas práticas”, revelou a delegada.
A autoridade policial disse ainda que, ao ser perguntado sobre a arma usada na ameaça à pastora, o homem disse que não era dele e que foi uma imagem que alguém tinha enviado, também pelas redes sociais.
Luci Mônica revelou que para identificar o suspeito, além dos policiais civis da Delegacia do 9º Distrito Policial, da qual é titular, teve a colaboração da equipe da Delegacia de Crimes Cibernéticos, ligada à Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic) e do Grupo Especial de Apoio à Investigação Geai), da PCAL.
ENTENDA O CASO
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No dia 11 de dezembro, a pastora e teóloga Odja Barros, da Igreja Batista, realizou pela primeira vez um casamento entre duas mulheres. De acordo com a religiosa, que tem 28 anos de pastorado, o casamento seguiu os ritos habituais para celebração de uma união.
A união homoafetiva ocorreu em um salão de festas da capital alagoana. Apesar de não ser o primeiro casamento entre pessoas do mesmo sexo realizado por pastores no Brasil, foi a primeira cerimônia celebrada por uma mulher, que em muitas igrejas batistas sequer podem exercer função de liderança.
Segundo Odja Barros, as mensagens de ódio em seu perfil pessoal começaram após perfis de fofocas compartilharem a notícia sobre a celebração do casamento religioso. Ela precisou da ajuda das filhas para administrar a quantidade de mensagens que estava recebendo nas redes sociais e, juntas, acabaram se deparando com a mensagem mais grave, em que o homem a ameaça de morte e chega a dizer que iria atirar na cabeça dela. O caso foi denunciado às autoridades e investigado, resultando, até o momento, na identificação do suspeito, que confessou o crime.