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Cidades

Atalaia silencia sobre paradeiro de Gerson Jr.

FELIPE FARIAS Em Atalaia a lei do silêncio impera. Nem mesmo os policiais lotados na delegacia estão mobilizados para capturar Gerson Lopes de Albuquerque Júnior, que, segundo a testemunha-bomba que depôs anteontem na Comissão de Direitos Humanos da Asse

Por | Edição do dia 28/05/2004 - Matéria atualizada em 28/05/2004 às 00h00

FELIPE FARIAS Em Atalaia a lei do silêncio impera. Nem mesmo os policiais lotados na delegacia estão mobilizados para capturar Gerson Lopes de Albuquerque Júnior, que, segundo a testemunha-bomba que depôs anteontem na Comissão de Direitos Humanos da Assembléia, estaria escondido na própria cidade. Evitando a reportagem, os policiais afirmaram que não receberam nenhuma instrução para sair “à caça” do foragido, assassino confesso do estudante Márcio Edsandro. Numa das fazendas do pai de Gerson – preso por porte ilegal de armas – os moradores dizem que a única operação policial realizada aconteceu no sábado passado; assim mesmo sem resultado. O clima na cidade é de medo, ainda que misturado à indignação. Os moradores abordados evitam falar abertamente com a imprensa, cuja passagem provoca curiosidade, mas desperta também reações inusitadas: “Passe aqui à uma hora ou então de manhã”, balbucia uma moradora da Vila José Paulino. “Toca para o chão da Boa Sorte”, dispara outro, referindo-se à fazenda de propriedade de Gerson Lopes, pai do assassino de Edsandro. No depoimento à comissão de deputados, a testemunha disse ter visto Gerson Júnior saindo da casa do prefeito José Lopes de Albuquerque, tio dele, no sábado à noite. A casa de número 530 é vigiada por um guarda municipal e ocupa grande parte do quarteirão defronte à Praça Aristides, a única da Vila José Paulino – na verdade um bairro afastado do centro de Atalaia. Apesar do som de ocupantes, ninguém atende à porta. Segundo os vizinhos, o prefeito Zé do Pedrinho, como é conhecido, não estava. “A movimentação aqui é a de uma casa de político; entra e sai gente; mas é maior pela manhã”, relata uma moradora, que não quis se identificar. Ela disse nunca ter visto Gerson Júnior na casa, depois do crime, e reafirmou o clima de medo presente na comunidade. Por causa disso, a moradora pediu para não falar à reportagem da GAZETA na rua. Na delegacia da cidade, os agentes policiais dizem não haver nenhuma diligência em andamento para localizar e capturar Gerson Júnior. O mesmo ocorre na unidade da PM. A testemunha, que falou à Comissão da Assembléia, denunciou que, em Atalaia, Gerson Júnior “só não foi preso por causa do dinheiro que a família tem. Até a polícia de lá sabe disso”. Os agentes que estavam na delegacia, que é vinculada à Regional de Viçosa, disseram sequer ter visto a entrevista da testemunha à TV GAZETA. No mesmo dia em que as denúncias foram ao ar, o Copom, comando de policiamento da PM, em Maceió, recebeu denúncia anônima sobre o paradeiro de Gerson Júnior, em Atalaia, e o repassou à companhia sediada na cidade.

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