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Fam�lias da Vila Emater lutam por vida digna

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Em permanente luta para melhorar as condições de vida na comunidade, a Associação da Vila Emater II conseguiu recentemente que fosse implantado um projeto de energia elétrica. ?Mas ainda há muito o que fazer aqui, principalmente em relação ao acesso a nossa comunidade?, acrescenta Givanildo da Silva, pedindo que a Prefeitura de Maceió realize obras de saneamento e pavimentação para garantir que o transporte coletivo chegue ao bairro. Outra iniciativa daquelas famílias para ter acesso à moradia é o encaminhamento de uma petição ao governo do Estado, de modo que possam ter posse da área onde seus barracos estão construídos. Alegando que estão ali há mais de 10 anos, eles querem que o governo expeça títulos de Concessão para Fins deMoradia, com base no que prevê o Estatuto das Cidades. Na petição, eles reivindicam que seja feito um levantamento topográfico-cadastral da área, o cadastramento socioeconômico das famílias e o registro da concessão no Cartório de Registro de Imóveis. A área onde está localizada a Vila Emater II pertence ao Estado. No documento, a comunidade pede que o governador Ronaldo Lessa adote medidas para que a Agência Alagoana de Habitação e Urbanismo execute um programa de urbanização dotando a localidade de infra-estrutura (saneamento, abastecimento de água, esgoto, arborização e outras ações que garantam conforto urbano). ?Queremos apoio das entidades públicas e da sociedade como um todo para que possamos viver com dignidade?, disse Sandra Joelma, catadora e vice-presidenta da Associação de Moradores. Ela destaca o apoio que a comunidade recebe da organização não-governamental Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu (Ceasb), que desenvolve atividades de inserção social e cidadania naquela comunidade. A ONG São Bartolomeu atua em Alagoas desde 1997, desenvolvendo projetos e atividades voltadas para a promoção e defesa de bens e direitos sociais relativos ao meio ambiente e ao patrimônio cultural. Segundo Ana Lúcia Menezes, coordenadora do Centro, na Vila Emater II são desenvolvidos projetos ligados à educação, à pesquisa, à geração de renda, à capacitação de educadores e a lideranças comunitárias. A ONG São Bartolomeu não tem fins lucrativos e conta com o apoio do Fundo da Organização das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Aterro sanitário O plano de gestão de resíduos sólidos urbanos de Maceió prevê coleta diferenciada para resíduos de feira e mercados, recicláveis, volumosos, resíduos de construção e demolição (RCD), resíduos de serviços de saúde (RSS), resíduos urbanos (capina, podas e varrição), domiciliar e comercial. Os resíduos de feira livre deverão ser encaminhados para a unidade de compostagem visando à produção de adubos destinados a parques, canteiros, jardins públicos e pequenos agricultores. Os recicláveis deverão ser coletados nos pontos de entrega voluntária (PEVs) e encaminhados a centrais de triagem e enfardamento. Estas duas unidades deverão ficar na área do atual vazadouro. Os volumosos reaproveitáveis vão para distribuição e os inservíveis para o aterro sanitário. Os RSS poderão continuar sendo destinados à Cinal, onde são depositados em valas sépticas ou serem tratados por outra tecnologia adequada. Os animais mortos e os resíduos domésticos e comerciais serão destinados às valas sépticas localizadas na área do futuro aterro sanitário. O local deverá ser capaz de absorver e tratar os resíduos sólidos urbanos durante um período de 20 anos, com início previsto para o ano de 2005, e deve abranger todos os elementos comuns a qualquer outro aterro sanitário, tais como: cerca, cortina vegetal, postes de iluminação, portão de entrada, balança eletrônica, pátio de estocagem de materiais, drenagem de gás e chorume. Cidadania Sair do lixão para o palco de teatros em Maceió ou de qualquer outro lugar do mundo. É o sonho de Josival Francisco Ferreira do Nascimento, 17, catador, um dos mais dedicados integrantes do projeto Guerreiros: educação, ambiente e cidadania, da ONG São Bartolomeu. O projeto, desenvolvido em parceria com entidades como a OAB, Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Procuradoria do Trabalho, Prefeitura de Maceió e Museu Théo Brandão, tem como objetivo a inclusão social e permanência escolar de crianças e adolescentes em situação de risco que vivem do trabalho de catar lixo. Assim como Josival, outros adolescentes alimentam o sonho de se transformar em artistas e profissionais de uma atividade capaz de lhes garantir um futuro digno. É o caso de Fabiana Santana de Almeida, 18, que desde a infância seguia os pais no trabalho de catadores do lixão. Hoje, cursando a 6ª série do Ensino Fundamental, Fabiana luta para ser advogada. As crianças e adolescentes participam também do projeto ?Sua Majestade o Circo?, coordenado pela arte-educadora Peró de Andrade. O trabalho é desenvolvido com a participação de voluntários e monitores, ensinando os meninos e meninas a arte do circo, ginástica olímpica e capoeira. Fabiana, como todos os demais, se apresenta com malabares e perna-de-pau. Ela também cospe fogo, ressalta, dizendo-se feliz por ter a oportunidade de aprender coisas que sequer imaginava existir, mas principalmente por estudar, o que não acontecia enquanto estava no lixão. Seu colega Josival Francisco também aprendeu as artes circenses, mas sua preferência é pelo teatro. Foi durante uma apresentação do grupo que ele se sentiu atraído e decidiu ingressar no projeto.

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