Cidades
Jaragu� e Centro s�o op��es para moradia
Lembrando um pouco a história de Maceió, vale dizer que a cidade cresceu a partir do Porto de Jaraguá. No início da colonização, no século XVII, os navios portugueses atracavam no que ainda era uma enseada natural para receber cargas de madeira. Posteriormente serviu para o embarque do açúcar produzido pelos engenhos localizados nas proximidades. Dali, no século passado, eram exportados fumo, coco, couro, especiarias e algodão. A história mostra que Maceió cresceu com base no comércio em torno do Porto, tornando-se vila em 5 de dezembro de 1815, e capital da Província de Alagoas em 9 de dezembro de 1839. Por isso, o urbanista Gilvan Rodrigues sugere a volta dessa vida urbana. Para isso, o poder público deve investir em infra-estrutura (água, energia, transporte, segurança, saneamento) e viabilizar a iniciativa de proprietários que se interessarem por transformar seus imóveis num ponto comercial e residencial. Em Jaraguá, como no Centro, a oferta de serviços públicos e privados é um privilégio. Faculdades, bancos, comércio, administração pública e teatros são serviços já disponibilizados nessas áreas. No centro faltam cinemas, mas os que já existiram podem ser reativados. Se forem dotados dessa infra-estrutura, esses dois espaços podem ser ocupados pela parcela da população formada por funcionários públicos, profissionais liberais, estudantes, enfim, por aqueles que podem se utilizar dos serviços públicos de lazer e ainda ter a praia como opção. Expansão imobiliária Como se vê hoje, a ocupação dos espaços do Litoral, tanto em direção ao Norte quanto ao Sul, é crescente. Mas aquela é uma área destinada aos ricos. Tanto o engenheiro Marcos Fireman quanto o arquiteto Gilvan Rodrigues admitem que só os privilegiados financeiramente vão poder desfrutar da expansão imobiliária nessa direção. Exemplos são os condomínios fechados que estão surgindo à beira-mar. Os preços dos terrenos nessas áreas giram, no mínimo, em R$ 200 mil. Além dos ricos, a ocupação daqueles espaços vai provocar o surgimento de hotéis de grande porte. ?Essa é a tendência que identificamos em termos de crescimento urbano?, afirma Gilvan, fazendo um alerta em relação a esse crescimento. Ele entende que o poder público deve fiscalizar com rigor e eficiência o cumprimento da legislação ambiental, já que aquelas áreas, tanto no Litoral Sul quanto na direção da Região Norte, precisam ser exploradas com o cuidado necessário à sua preservação. Marcos Fireman faz avaliação semelhante, lembrando que esses espaços não permitem grande adensamento. ?É possível conviver em harmonia com o meio ambiente, ocupando de forma ordenada e controlada. Muitas vezes a não ocupação é mais danosa, já que a natureza fica exposta a agressões de pessoas sem compromisso com o ambiente? ? argumenta Fireman. Ele acredita que se observando a questão da baixa densidade, os espaços do Litoral serão ocupados por condomínios horizontais (casas) e verticais (apartamentos), destinados à faixa de elevado poder aquisitivo. Segundo Marcos Fireman, essa nova tendência será capaz de ultrapassar o obstáculo criado pela indústria química que montou sua fábrica, hoje a Brasken, numa área urbana, inviabilizando a expansão imobiliária em direção ao Litoral Sul. (BL)