Cidades
Patrim�nio do s�culo XVII em Penedo pode sucumbir ao fogo
Sucursal Arapiraca ? O apelo dos franciscanos para que sejam viabilizados recursos para a reforma do Convento e da Igreja de Nossa Senhora do Carmo ? edificações do século XVII e cujas instalações foram condenadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional (Iphan) ? só deve surtir algum efeito caso a Ordem dos Franciscanos, sediada em Recife, mude de idéia e decida aceitar a proposta do Ministério da Cultura de transformar um dos prédios em hotel ou pousada capazes de gerar renda a partir da atração de turistas ao município do Penedo. ?O convento é uma bomba-relógio. Precisa com urgência de manutenção. Pode pegar fogo a qualquer momento?, alerta José Marinho, coordenador do Programa Monumenta, vinculado ao Ministério da Cultura e que poderia viabilizar os mais de R$ 1 milhão necessários à recuperação dos prédios. A Igreja e o Convento foram construídos a partir de 1657 e tiveram as estruturas física e elétrica condenadas pelo Iphan em virtude da falta de manutenção. Utilidade Os recursos poderiam ser viabilizados através do governo federal em parceria com organismos internacionais, caso os imóveis (tombados pelo patrimônio histórico nacional) pudessem ter utilidade turística capaz de gerar renda a ser revertida para sua própria manutenção. A viabilidade a que se refere o coordenador seria a transformação do Convento de Nossa Senhora do Carmo em pousada para abrigar turistas do País e da Europa. Proposta nesse sentido chegou a ser encaminhada mas foi recusada pela Província de Santo Antônio do Brasil, em Recife, ordem a qual estão vinculados a Igreja e Convento penedenses. ?Seria um absurdo transformar um patrimônio secular em hotel de luxo?, critica o frei Marcelino Cantalice, um dos três que ainda vivem no convento, dotado de 33 celas (quartos), 30 das quais vazias. ?Não temos um centavo sequer para investir em obras de recuperação?, confessa o religioso. Vexatório A falta de recursos impôs situação vexatória ao convento e à igreja. Depois da condenação da rede elétrica e conseqüente pedido de interdição dos prédios, os franciscanos recorreram à população e ao poder público para instalar as gambiarras elétricas que iluminam um dos mais belos altares-mores da arte barroca nacional. ?Um incêndio teria conseqüências drásticas para a cultura nacional?, diz José Marinho. ?Estamos de mãos atadas. Dependemos dos religiosos para encaminhar projeto de recuperação dos prédios?, completa o coordenador do Monumenta. ?O governo precisa é recuperar e não pensar em transformar os prédios em hotel?, rebate o frei Marcelino Cantalice.