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Crian�as morrem com fam�lia em desabamento

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FELIPE FARIAS A gruta de Ouro Preto foi o cenário do maior acidente nas chuvas de ontem, quando uma família e vizinhos foram soterrados por uma avalanche de barro, areia e destroços. Das vinte e uma pessoas que morreram, oito foram nesse desabamento. No chamado Grutão do Ouro Preto, seis crianças e dois adultos foram soterrados quando parte do muro de um condomínio da Gruta de Lourdes deslizou sobre quatro casebres. Seis corpos tinham sido resgatados quando os bombeiros suspenderam as buscas no início da noite. Por falta de luz natural, foi interrompida a operação para remover a pedra do alicerce do muro, que provocou o desabamento. Segundo os bombeiros, os corpos de duas crianças ainda estariam embaixo dela, cujo peso foi estimado em pelo menos cinco toneladas. A operação de resgate deve ser retomada hoje. A moradora Simone de Araújo, 18, chegou a atender à recomendação das autoridades e saiu de casa ameaçada pelo aumento do nível do Rio do Osso, que corta a comunidade. Mesmo assim, perdeu o filho único, de um ano e quatro meses, e mais o pai, a mãe e uma sobrinha em um deslizamento. Soldados do Exército removeram 150 moradores do Ouro Preto após a tragédia. Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros, tenente-coronel BM Jadir Ferreira, eles foram levados para a Escola Crispiniano Portal, no Poço. Ainda de acordo com a Defesa Civil, o último período de chuva com a intensidade da que foi registrada ontem, em 2000, deixou 22 mortos. Entretanto, esse total representa os óbitos de toda a chamada quadra chuvosa. A morte de 21 pessoas em apenas um dia fez das chuvas desse 1º de junho as mais violentas dos últimos quatro anos. E a última em que um número tão grande de moradores de encostas morreu em um mesmo acidente foi em 1989, quando um deslizamento de barreira no Flexal de Cima, em Bebedouro, soterrou cerca de 20 pessoas de uma só vez. O maior número de óbitos foi mesmo na grota do Ouro Preto: oito. Outras duas pessoas morreram em um desabamento de casa ocorrido no Sítio Sonho Verde, situado por trás de um supermercado atacadista que fica no acesso para o Murilópolis. Uma pessoa morreu soterrada na Chã da Jaqueira e outra no Benedito Bentes. Houve duas mortes por afogamento: de uma criança que caiu no Reginaldo e de um morador do bairro Santa Lúcia, tragado pela correnteza ao atravessar uma área inundada. O risco de morrer por morar em grotas em pleno período de chuva se consumou ontem no drama de Simone de Araújo, de 18 anos. Para fugir da ameaça de ter seu barraco invadido pela correnteza do Rio do Osso, que atravessa a Grota do Ouro Preto, ela foi morar com uma vizinha no alto de uma fileira de casas que terminava junto ao muro de um condomínio da Gruta. No começo da manhã de ontem, o muro pressionou a barreira, que deslizou soterrando as quatro casas. Simone perdeu o filho único, Douglas de Araújo, de um ano e quatro meses; o pai e a mãe, Juarez e Berenice Araújo, e uma sobrinha, Emily Laura de Araújo, de um ano. Simone sobreviveu porque estava na casa de outra pessoa, para quem trabalhava cuidando de crianças.

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