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Fam�lias sepultam 17 crian�as e seis adultos

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FELIPE FARIAS Com escoriações por todo o corpo, a adolescente Eva Vilma de Araújo, 14, demonstrava mal- estar durante o velório do sobrinho e de mais 22 pessoas, ontem. Ela não pôde velar o corpo da própria filha, a pequena Emily Laura de Araújo, de onze meses, que ainda não havia sido resgatado das pesadas pedras do alicerce de um muro que caiu sobre a casa onde morava. Emily estava nos braços da mãe quando a barreira veio abaixo, pouco antes do meio-dia de anteontem. Segundo contou aos bombeiros, Eva só conseguiu ficar com a cabeça e uma das mãos para fora da lama: foi a mão que sua irmã, Simone, puxou para retirá-la do monte de barro e entulhos. O lugar de onde ela foi puxada estava servindo de referência para os bombeiros tentarem achar o corpo da filha. As buscas foram encerradas ontem. Casos como o da moradora do grotão do Ouro Preto, por mais inusitados que pareçam, eram a razão das lágrimas derramadas pelos familiares e amigos das dezessete crianças e seis adultos de oito famílias, vítimas de soterramento, que ocuparam quatro das seis capelas de uma central de velórios de Maceió. Em diferentes ocorrências causadas pela chuva, famílias perderam dois, três ou até quatro parentes de uma vez só. O grande número de mortos exigiu uma operação especial para transportar parentes, alimentá-los e dar-lhes suporte, e provocou congestionamento no cemitério de São José, onde todos os corpos foram sepultados.

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