Cidades
Desabamento de barreira mata sete em grota
ODILON RIOS O cenário era de guerra: bombeiros por todos os lados, corpos expostos à espera de remoção, pessoas chorando. A batalha, porém, era pela sobrevivência. Na grota Santa Helena, Chã da Jaqueira, seis casas desabaram na madrugada de ontem. Sete pessoas morreram por asfixia, soterradas pelo barro e escombros das casas. Entre elas, a avó, dois netos e dois primos, todos moradores do mesmo barraco. Natália dos Santos, mãe de Natanael dos Santos, 10 anos, conta que o filho saiu de casa para brincar com os primos (Daniel dos Santos, 6, Tainá dos Santos, 9, e Aluísio dos Santos, 6) e não voltou mais. Todos morreram soterrados no desabamento que ocorreu na Grota Santa Helena. ?Meu filho estava lá?, aponta a casa. Além das crianças, a avó delas, Maria de Lourdes dos Santos, morreu soterrada. ?Todo mundo estava dormindo. Eu estava perto da casa?, diz Natália. Seis casas, incluindo a de Maria de Lourdes, foram arrastadas com a enxurrada que, de tão violenta, levou duas escadarias construídas pela prefeitura no ano passado. Na conhecida ?Grota da Cycosa?, em Chã Nova, o corpo de Fábio da Silva Souza, de 19 anos, foi retirado dos escombros e do barro. Estava desaparecido desde a tarde de terça-feira. ?Ele estava tentando evitar que a água corresse para outras casas quando a barreira caiu?, disse sua mãe, Fátima Eurives da Silva, muito abalada. Os oito corpos foram enviados ao Instituto Médico Legal Estácio de Lima para a necropsia. Desespero O desespero de Edson Ferreira da Silva era grande. A mulher, Lucineide Maria dos Santos, 27, e o filho de criação, Anderson Santos da Silva, estavam na mesma casa que ele, antes de morrerem soterrados. ?Eu consegui escapar, mas não quero viver?, repetia, chorando. Edson dormia com a mulher, os dois abraçados. Ela estava em seu peito quando a terra desceu da barreira de forma violenta, soterrando a casa. ?Tentei acordar minha mulher, mas ela não acordava?, conta o rapaz, ainda desesperado. Luciene Maria dos Santos perdeu três pessoas no deslizamento de barreira: a irmã, Lucineide Maria dos Santos, e dois sobrinhos. Luciene estava desconsolada. ?Isso é uma tragédia muito grande. Vai fazer um mês que eu perdi meu irmão?, dizia, aos prantos. Ela foi socorrida por amigos, a poucos metros do local da tragédia. Moradores e Corpo de Bombeiros ajudavam no resgate dos corpos, mas somente pela manhã, segundo moradores, é que o Corpo de Bombeiros chegou ao local.