Cidades
Desabrigados bloqueiam pista no Dique Estrada
FÁTIMA ALMEIDA Dezenas de famílias de moradores da favela Sururu de Capote, no Dique Estrada, bloquearam a pista com pneus em chamas, ontem de manhã, em protesto contra o que eles consideram demora da Prefeitura em trazer ajuda aos desalojados do local. Eles tiveram de deixar seus barracos na madrugada de terça-feira por causa do temporal que atingiu Maceió, e desde essa data estão dormindo em tendas improvisadas com pedaços de lona na calçada que margeia a pista. A Lagoa Mundaú inundou os barracos, construídos quase dentro da água. ?Perdemos alimentos, roupas, os colchões ficaram molhados e estamos aqui até agora esperando ajuda. Ninguém se lembra de nós. Tem muitas crianças e adultos doentes, passando frio e fome e convivendo com todo tipo de perigo?, reclama a moradora Maria José Correia da Silva. Segundo a marisqueira Maria Lúcia dos Santos, os barracos estão cheios de ratos, lama e cobras que desceram com a cheia. Os moradores informaram que até um jacaré foi encontrado no local. Foi morto e transformado em alimentação coletiva. ?Estamos precisando de comida, colchões e mais lona, porque tem gente que passa a noite sentada numa cadeira, sem um pedaço de lona. As roupas e os móveis estão molhados e não tem onde secar. Vamos perder tudo?, diz Maria Lúcia, que mora com o marido e seis filhos em um dos barracos inundados. De acordo com os moradores, integrantes da Prefeitura e do Corpo de Bombeiros já estiveram no local, fizeram levantamentos e ofereceram caminhão para que fossem levados para um dos alojamentos da capital, mas eles não querem sair. ?Quem vai tomar conta das nossas coisas? Vão roubar o restinho que sobrou?, alerta Maria José Correia, afirmando que a equipe prometeu levar alimentos e colchonetes. ?Prometeram, mas não cumpriram. É por isso que tocamos fogo nos pneus no meio da rua, para ver se chama a atenção desse pessoal para a nossa situação?, disse Maria Lúcia. O bloqueio começou por volta das 9 horas de ontem e atraiu várias viaturas da polícia ao local. As negociações para o desbloqueio da pista foram feitas pelo comandante da Radiopatrulha, tenente-coronel Macedo, mas os moradores queriam a presença da Secretaria de Habitação. A coordenadora de habitação, Cléo Alves, disse que a Prefeitura esteve no local. ?Nos oferecemos para tirá-los daquela área e levá-los para os alojamentos, onde há assistência médica e alimentação, mas eles não quiseram ir?, disse ela.