Cidades
ALFARRÁBIOS DE MACEIÓ APOSTAM NA VOLTA ÀS AULAS PARA ELEVAR VENDAS
Lojas de livros usados segmentam oferta e inovam com venda online para atrair e fidelizar clientela
Espalhados pelo Centro, em Maceió, os alfarrábios vêm, há muito tempo, enfrentando uma crise. A queda nas vendas fez com que muitos fechassem as portas nos últimos anos e os que sobrevivem, “agarram-se” a estratégias para conseguir vender. Muitos aderiram ao serviço online, com vendas via aplicativos e sites, como também passaram a investir em um único segmento, com livros específicos e com um público-alvo determinado.
Aqueles que investem em livros didáticos estão apostando na volta às aulas para aumentar as vendas. Este é o caso da Herói dos Livros, uma sebolândia localizada na Rua Levy Camara Scala, no Centro.
O proprietário do estabelecimento é Romildo Silva, de 55 anos. Ele trabalha com vendas de livros há 37 anos. “Morava em Santana do Ipanema, mas estudava Direito em Maceió. Teve uma época em que não tinha dinheiro para voltar para casa, então, passei a vender os meus próprios gibis e livros. Foi daí que percebi que poderia trabalhar nesse ramo. Porém, fui tentar uma vida diferente em São Paulo, mas não deu certo. Voltei para Maceió e investi tudo na livraria. E aqui estou até hoje”, relembrou.
Romildo contou que a movimentação em seu estabelecimento não batia a meta de vendas, por isso, passou a observar o seu público. Grande parte eram estudantes à procura por conteúdo didático. A partir daí, passou a investir no material.
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“Quando percebi que saíam mais livros de escolas, visitei algumas unidades de ensino e divulguei o meu trabalho. Falava para pais e alunos que compravam e vendiam livros usados. Teve uma época que foi uma loucura aqui [alfarrábio]. Muitas pessoas em uma fila para comprar comigo”, disse.
Atualmente, o vínculo das escolas com editoras gera mudanças anuais em livros didáticos. E quem sente é os alfarrábios e pais de alunos - que pagam caro. “Todo ano é uma mudança no livro, no conteúdo. Daí, não tenho como investir pesado nesse material. E os prejudicados são os pais, que são obrigados a comprar os livros da editoria, a cada ano. Comigo seria mais encontra”, falou entre risos.
No entanto, Romildo não deixa de investir em livros que possam somar na formação dos estudantes. “Vendo de tudo aqui na loja. Tem livro sobre crase, fórmulas de matemática e física. Além disso, tem material para quem está se preparando para concursos. O acervo é muito vasto”, destacou.
Segundo Romildo, o período de volta às aulas é o mais movimentado. “As vendas crescem um pouco, o que é ótimo. Os alfarrábios vêm sofrendo muito com a baixa procura e, consequentemente, com a escassez das vendas. Mas, agora, estamos em período de ano letivo, com alunos empenhados e com todo gás para estudar. A meta é vender um pouco mais até o começo do mês de março”.
VENDA ONLINE
Romildo trabalha há 10 anos com vendas online. “Foi a melhor decisão que tomei. Acho, até, que fui o pioneiro em Maceió. O método é prático e impulsionou mais o movimento”, admitiu. Apesar de tantas vendas e histórias, o apaixonado por livros disse que está “vagarosamente fechando as portas” do seu alfarrábio “O que me desmotivou foi a falta de apoio de órgãos públicos ao meu trabalho, na falta de divulgação. Para se ter uma ideia, já ajudei na formação de 500 alunos em Direito e 2 mil em Medicina. Vou me aposentar com o sentimento de dever cumprido”.
A estudante Allana Letícia, de 20 anos, ingressou há um ano na faculdade. Ela cursa direito e frequenta alfarrábios para a comprar livros. “Uma amiga disse que eu encontraria mais conteúdo do meu curso nos alfarrábios e, ao seguir o conselho, percebi que ela estava certa. Atualmente, grande parte dos meus livros são de alfarrábios e me ajudaram muito em provas e conhecimento em geral”.
Paulo Henrique, de 21 anos, também investe em livros de alfarrábios. “Quando estava no Ensino Médio, estudando para o Enem, toda a minha revisão foi com livros usados de alfarrábios. Foi meu o melhor investimento. Atingi meus objetivos e ainda paguei barato”.
VOLTA ÀS AULAS
Na rede estadual de ensino, as aulas começam no próximo dia 7 de fevereiro, de forma 100% presencial. A apresentação do cartão de vacina será obrigatória e vai garantir, aos que estiverem com o ciclo vacinal completo, uma bolsa única no valor de R$ 500. Quem não se vacinou, não terá direito ao benefício financeiro. Na rede municipal, as aulas começam dia 14 de fevereiro. Nas unidades de ensino não será exigido, inicialmente, o comprovante de vacinação para os estudantes, mas a Secretaria de Educação orienta que as escolas públicas municipais incentivem os estudantes e pais que estiverem dentro do público apto à vacinação contra a Covid-19. As aulas nas escolas particulares começaram na última segunda (31), seguindo todo o protocolo de segurança. O cartão de vacina não vem sendo exigido.