Cidades
Disputa interna tira Adalberon do Baldomero
ODILON RIOS O desembargador Orlando Manso determinou, em caráter de urgência, a transferência do prefeito de Satuba, Adalberon de Moraes Barros, para o presídio Cirydião Durval. Adalberon estava preso até ontem no Baldomero Cavalcanti, no módulo especial, aguardando julgamento pelos crimes praticados contra o assessor parlamentar Jeams Alves, em dezembro de 2002, e o professor Paulo Bandeira, em junho do ano passado. O despacho do desembargador foi publicado no Diário Oficial do Estado de ontem. Em carta anexa ao despacho, o secretário-executivo de Ressocialização, Valter Alves Gama, relata o ?clima de tensão? entre o prefeito de Satuba e o ex-tenente-coronel Manoel Cavalcante. ?Um grupo, liderado pelo prefeito Adalberon, conforme apuramos, vem incitando o ex-coronel Cavalcante ao confronto, às brigas e outras coisas mais, criando um clima de tensão, entre as duas partes ? o que é perigoso, permita-nos dizê-lo?, descreve. Ainda no ofício, Valter Gama faz um apelo a Manso, pedindo que Adalberon, ao ser transferido para o Cyridião Durval, seja posto em uma cela especial. ?O Baldomero Cavalcanti necessita de paz. E, por extensão, os demais presídios?, finaliza o secretário. De acordo com o diretor do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe), coronel Agamenon Oliveira, existe uma briga entre Adalberon e Cavalcante, mas ?o problema já foi contornado?. Segundo apurou a GAZETA, o prefeito de Satuba recebia muitas visitas no Baldomero, entre amigos e correligionários políticos, fato que estaria gerando preocupação por parte da direção do presídio, que resolveu restringir as visitas ao prefeito de Satuba. Preocupante Em seu relatório, o desembargador Manso considera os fatos trazidos pelo secretário de Ressocialização como ?sérios? e ?relevantes?, que ?exigem a pronta intervenção do Poder Judiciário, a fim de evitar o desnecessário derramamento de sangue naquele presídio?. ?Ora, o réu (Adalberon) responde a vários processos aqui no Tribunal de Justiça, nos quais são imputados ao mesmo a prática de crimes bárbaros, de tamanha brutalidade e selvageria, a exemplo do caso do professor Paulo Bandeira, que foi queimado vivo no seu veículo e encontrado dias depois na zona rural de Satuba?, descreve o desembargador. Manso havia decretado a prisão temporária de Adalberon no dia 12 de junho de 2003, dias depois de o corpo do professor Paulo Bandeira ter sido encontrado em Satuba.