Cidades
ADOECIMENTO DE MÉDICOS PREOCUPA SINDICATO EM AL
Afastamento de médicos por Covid-19 cresce em AL e dificulta trabalho na linha de frente
O adoecimento de profissionais da saúde por Covid-19 tem dificultado o enfrentamento da doença nos hospitais, devido à dificuldade de substituição, segundo o Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed/AL).
Em reportagem publicada pela Gazeta, em dezembro do ano passado, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informou que 6,3% do total de casos confirmados de Covid no Estado são de profissionais de saúde. Mais de 6,4 mil profissionais havia, então, sido infectados pelo coronavírus em Alagoas.
“A vacina está evitando óbitos, mas, ainda assim, podemos ser infectados pelo vírus. E quando um médico testa positivo, nem todas as unidades de atendimento conseguem um substituto com agilidade. Não está sendo fácil fazer as substituições”, disse o presidente do sindicato, Marcos Holanda.
Marcos ressaltou que as equipes de saúde estão cheias de novatos com pouca experiência de assistência em situação de pandemia. “Apesar disso, todas as unidades de Alagoas estão com o quadro médico completo”, destacou. “Quando um [médico] com bastante experiência sai por motivo de doença entra outro.Tem muito recém-formado, mas não há escassez de profissionais”, completou Holanda.
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A geriatra Amanda Gomes, de 28 anos, era recém-formada quando precisou substituir um outro profissional, em agosto de 2020, em um hospital particular de Maceió. Ele testou positivo para a Covid e se afastou das funções. “Entrei só para substituir mesmo, sem garantias de que ficaria fixa no hospital. Era um período caótico, casos e mais casos do vírus, e eu não tinha a experiência de muitos lá, como também estava com medo de ser infectada. Um misto de sentimentos. Mas me ajudou muito profissionalmente. Mas, como disse, não foi um período legal. Muita correria, muitos profissionais infectados e nem tínhamos a vacina. Houve muitas substituições. E eu tinha contato direto com idosos”, relembrou.
Em 2021, o Brasil começou a vacinar a população. Em Alagoas, a vacinação teve início no dia 19 de janeiro daquele ano, para idosos e o público com comorbidades. Um ano após, mais de 91% do público adulto de Alagoas já está vacinado com as duas doses do imunizante. Os números de casos e óbitos pela Covid chegaram a cair no Estado, mas, atualmente, com a variante Ômicron e o surto de influenza, os casos voltaram a subir.
Em meio à situação, Marcos Holanda alerta que o fato de ter sido imunizado não livra ninguém da obrigatoriedade do uso de máscara, muito menos da higienização das mãos e demais medidas sanitárias. Todo o cuidado também ajuda a preservar a saúde mental dos médicos, segundo o presidente do sindicato.
“Nada de frequentar espaços que não são devidamente sanitizados. É bom fugir de filas, principalmente por motivos banais. Os médicos estão adoecendo, e precisamos deles bem. Cada cidadão, enfim, precisa estar bem. Saúde é o maior patrimônio de todos”, concluiu Holanda.