Cidades
ESPECIALISTA ACONSELHA RETORNO GRADATIVO A EXERCÍCIOS APÓS COVID
Especialista alerta sobre cuidados com retomada da atividade física a pessoas recém-recuperadas da doença
Queda de cabelo, mudança no paladar, dificuldade para respirar e cansaço. Essas são algumas das sequelas relatadas por pacientes que se infectaram com a Covid-19. O que poucos sabem - e, por isso, não se preocupam - é que a doença pode causar danos cardiológicos.
As lesões podem se agravar e agir de forma silenciosa, principalmente para quem pratica atividades físicas. É o que explica o médico especialista em medicina do Exercício e do Esporte e diretor-médico da Federação Alagoana de Futebol (FAF), Thiago Omena. Segundo ele, é essencial fazer uma bateria de exames antes de voltar com tudo aos exercícios, evitando a retomada imediata.
Na manhã do último sábado (12), o personal trainer Felipe Brandão, de 32 anos, morreu após sofrer mal súbito durante corrida na Praça Ganga Zumba, no bairro de Cruz das Almas, em Maceió. Ele chegou a ser socorrido, por uma equipe do Serviço de Atendi,mento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu. Familiares informaram que ele havia tido Covid-19 recentemente. Testemunhas que presenciaram o caso informaram que Felipe nadou e depois fez uma corrida, durante a qual passou mal.
De acordo com Thiago Omena, a pessoa infectada deve fazer uma investigação pós Covid-19 para ver se houve o surgimento de algum dano cardiológico ou qualquer outra lesão que pode trazer riscos à saúde. “Os cuidados, basicamente, estão em manter contato sempre com um médico. Algum médico tem que estar tratando a pessoa da doença. Acabando o isolamento, essa pessoa tem que perguntar ao médico”, disse.
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E quem o paciente deve procurar? O especialista explicou que os médicos mais indicados para o diagnóstico e liberação da prática de atividades físicas após a recuperação da Covid-19 são os cardiologistas e médicos do esporte. Ele ainda lembrou que o protocolo da Sociedade Brasileira de Medicina, junto com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, falam que, ao fim do isolamento social, a pessoa deve aguardar 14 dias para procurar o médico e fazer exames, desde que esteja assintomática.
“Os exames são basicamente um eletrocardiograma, a dosagem de troponina no sangue, que é um marcador de que houve alguma lesão miocárdica e, dependendo do nível que a pessoa pratica exercício, um recuo cardiograma e um teste ergométrico, se for o caso, aprofunda-se essa investigação com exames maiores, como uma ressonância magnética no coração”, contou.
Dependendo do diagnóstico, como uma miocardite, por exemplo, a pessoa pode chegar a ficar de três a seis meses proibida de fazer qualquer atividade física, afirmou Omena. Neste caso, apenas exercícios de alongamento, mobilidade e movimentos mais relacionados à fisioterapia motora poderão fazer parte da rotina.
O especialista alerta: quem estiver com a doença ativa - no período de isolamento -, não pode fazer exercícios. “A pessoa não pode fazer exercício, nem que seja em casa”, adverte.